Yannis Behrakis  / Reuters
Yannis Behrakis / Reuters

Luhansk pode realizar referendo sobre anexação à Rússia

Após região aprovar independência, presidente ucraniano acusa Moscou de tentar derrubá-lo

O Estado de S. Paulo,

12 Maio 2014 | 08h48

(Atualizada às 11h35) MOSCOU - A região de Luhansk, no leste da Ucrânia, pode organizar um referendo sobre sua anexação à Rússia, disse um porta-voz dos separatistas pró-Rússia da região, segundo a agência de notícias estatal russa RIA nesta segunda-feira, 12.

"Se essa decisão (de conduzir um referendo sobre se juntar à Rússia) for tomada, então, em seguida, a vontade do povo será considerada", disse o porta-voz, de acordo com a RIA.

Alguns separatistas apoiam a anexação. "Esta terra nunca foi ucraniana. Nós falamos russo", disse Vyacheslav Ponomaryov, prefeito rebelde de Slaviansk, reduto separatista, que ameaçou expulsar o Exército ucraniano da região.

Questionado sobre a possibilidade de realizar um segundo referendo sobre a união com a Rússia, ele disse: "Não houve decisão, mas este referendo mostrou que estamos preparados… nós podemos convocar uma eleição ou referendo em cima da hora."

Luhansk foi uma das duas províncias ucranianas que conduziram um referendo separatista no domingo 11. Um dos organizadores do pleito afirmou que 96,2% dos eleitores optaram pela autonomia da região.

As regiões de Donetsk e Luhansk não irão participar das eleições presidenciais em 25 de maio no país, anunciaram nesta segunda líderes pró-Rússia. "Aqui não haverá eleições", disse o líder Denis Pushilin.

O presidente da Ucrânia, Oleksander Turchinov, acusou o governo russo de trabalhar para derrubar o governo interino em Kiev e classificou como farsa o referendo de domingo. "Esses processos são inspirados por liderança da Federação Russa e são nocivos para as economias das regiões de Donetsk e Luhansk, ameaçam as vidas e o bem estar dos cidadãos e buscam desestabilizar a situação na Ucrânia, prejudicar as eleições presidenciais e derrubar as autoridades ucranianas."

A Rússia disse que respeita o resultado do referendo e acrescentou que os resultados deveriam ser implementados de modo pacífico, mas não especificou que ações poderia adotar. A votação foi considerada ilegal por países ocidentais.

O líder da rebelião separatista no leste Roman Lyagin, dirigente da comissão eleitoral separatista, disse em entrevista à imprensa que a união com a Federação Russa seria "provavelmente a medida mais apropriada" após o resultado do referendo do fim de semana./ EFE e REUTERS

Mais conteúdo sobre:
crise na Ucrânia Rússia Luhansk

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.