REUTERS/Vasily Fedosenko
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Lukashenko ameaça fechar fábricas que protestaram; atos anti-governo continuam

Bielo-Rússia, liderada por Alexander Lukashenko há 26 anos, vive manifestações ininterruptas há quase duas semanas pedindo sua renúncia após eleições consideradas fraudadas

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2020 | 12h14

MINSK - O presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, ameaçou neste sábado, 22, fechar fábricas que tiveram protestos de trabalhadores e disse que poderia demiti-los, de acordo com informações da agência de notícias russa RIA. Essa é uma das últimas tentativas de reprimir uma onda de protestos que pede a saída do seu governo após eleições consideradas fraudadas e não reconhecidas pela União Europeia. 

"Se uma fábrica não está funcionando, vamos colocar uma trava em seu portão a partir de segunda-feira e vamos parar com isso", afirmou. "As pessoas vão se acalmar e decidiremos quem convidar (para trabalhar) a seguir". As manifestações, em sua maioria pacíficas, começaram em 9 de agosto e tiveram repressão brutal do governo, que prendeu ao menos sete mil pessoas - três morreram. Elas são o maior desafio aos 26 anos de poder de Lukashenko.  

Também neste sábado, a líder da oposição, Svetlana Tsikhanouskaya, que se exilou na Lituânia, afirmou que o povo bielo-russo não permitirá que Lukashenko os trate como antes e ele terá que sair "mais cedo ou mais tarde". A professora de 37 anos também informou estar recebendo ligações de apoio de líderes internacionais, incluindo Reino Unido e Alemanha. 

Tsikhanouskaya disse que se sente segura na vizinha Lituânia e que tem guarda-costas ao seu redor, mas pretende voltar à Bielo-Rússia. 

Uso do Exército

Lukashenko visitou no sábado as unidades militares em Grodno, no oeste da Bielo-Rússia, perto da fronteira polones. O presidente criticou o movimento de protestos instigado "pelo exterior" ao chegar no polígono militar em Grodno, região onde estão previstas manobras em larga escala, entre 28 e 31 de agosto. 

Ele ordenou a seu ministro da Defesa que proteja a parte ocidental do país e que tome medidas rígidas para defender a integridade territorial da nação. Sem evidências, afirmou constatar "manobras significativas das forças da OTAN na proximidade" das fronteiras bielo-russas, na Polônia e Lituânia. 

Lukashenko, que diz ter vencido as eleições com 80% dos votos, enfrenta um movimento de protestos inédito na ex-república soviética e também pressão externa. Desde então, a oposição denuncia fraudes e organiza manifestações diárias em todo o país.  

Nesta semana, a oposição formou um "conselho de coordenação" para impulsionar a transição política após a eleição presidencial. Mas as autoridades abriram uma investigação contra o grupo, acusando-o de "atacar a segurança nacional". / AFP e Reuters 

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