Yauhen Yerchak/EFE
Yauhen Yerchak/EFE

Lukashenko enfrenta novas manifestações na Bielo-Rússia e se aproxima de Putin 

Principal candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, refugiada na Lituânia, convocou manifestações pacíficas no fim de semana em todo o país

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 10h40
Atualizado 15 de agosto de 2020 | 11h37

MINSK - Milhares de manifestantes se reuniram novamente neste sábado, 15, na Bielo-Rússia para protestar contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko, que conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin,  para abordar o que considera uma "agressão contra seu país e toda a região".

As pessoas seguiram em direção à estação de metrô de Pushkinskaya, zona oeste da capital Minsk, para prestar homenagem a um manifestante que morreu perto do local durante os protestos de segunda-feira passada. "Não à violência!", "Viva Belarus", gritaram os manifestantes, com flores.

Paralelamente, entre 500 e 700 pessoas se reuniram em silêncio com a família do homem morto, Alexander Taraikovsky, de 34 anos, em um funeral em outro bairro de Minsk.

A principal candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, refugiada há quatro dias na Lituânia, convocou manifestações pacíficas no fim de semana em todo o país.

Ligação de Putin 

O presidente Lukashenko teve uma conversa telefônica com Putin para tratar dos eventos eu seu país, segundo informou a agência estatal Belta.

Lukashenko considera o cenário atual uma "ameaça" contra ele e "toda a região". O presidente afirma que a Bielo-Rússia enfrenta uma "revolução colorida" - nome dado a várias revoltas registradas em países da ex-União Soviética nos últimos 20 anos - com "elementos de interferência externa".

O Kremlin afirmou que está "confiante" em uma solução rápida dos problemas no país, segundo um comunicado divulgado pela presidência russa após a conversa entre os dois líderes. 

"O importante é que esses problemas não sejam explorados por forças destrutivas que tentam prejudicar a cooperação mutuamente benéfica entre os dois países no âmbito do Estado da União (Rússia-Belarus)", acrescenta a nota do Kremlin.

Muitos Estados ocidentais condenaram a violência e denunciaram uma fraude eleitoral. Na sexta-feira, a União Europeia (UE) aprovou sanções às autoridades em Minsk vinculadas à repressão e às fraudes.

As sanções foram anunciadas em um contexto de grande mobilização no país: correntes humanas são cada vez mais numerosas em protestos contra a violência e as fraudes, ao mesmo tempo que trabalhadores das fábricas anunciam ações de solidariedade e greves.

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Ao contrário das manifestações do início da semana, violentamente reprimidas, as ações de quinta-feira e sexta-feira aconteceram sem confrontos ou detenções em larga escala. 

As autoridades, que parecem dar sinais de recuo, anunciaram a libertação de mais de 2 mil das 6,7 mil pessoas detidas durante as manifestações.

Lukashenko pediu na sexta-feira uma "certa moderação" em relação aos manifestantes, que nos dias anteriores ele descreveu como "ovelhas" que precisavam "voltar a colocar os cérebros no lugar".

Depois de acusar o regime de cometer um "massacre", Tikhanovskaya, que reivindica a vitória na eleição de 9 de agosto, anunciou a criação de um comitê para organizar a transferência de poder e pediu um diálogo com as autoridades.

Relatos de tortura

Desde a noite de domingo, a Bielo-Rússia é cenário de protestos de dimensão inédita contra a reeleição de Lukashenko, que governa a ex-república soviética há 26 anos.

Sua vitória - oficialmente com 80% dos votos - foi considerada fraudulenta. A mobilização de apoio a sua rival Tikhanovskaya foi muito intensa antes das eleições. Tikhanovskaya, que oficialmente obteve 10% dos votos, denunciou fraudes em larga escala.

As quatro primeiras manifestações foram sufocadas pela polícia: ao menos 2 pessoas morreram e 150 ficaram feridas. Alguns manifestantes que foram liberados denunciaram torturas durante a detenção. 

Eles afirmaram que não tiveram acesso a água e comida, que foram agredidos e queimados com cigarros. Além disso, dezenas de pessoas foram colocadas em celas com capacidade para quatro ou seis detentos.

Novata na política aos 37 anos, Tikhanovskaya, professora de inglês de formação e dona de casa, abandonou o país depois de receber ameaças das autoridades. Seu marido, que ela substituiu na disputa à presidência, está preso desde maio./AFP 

 

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