Russian Presidenticial Press Service via AP
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Lukashenko se encontra com Putin e diz que quer mudar a Constituição

Presidente da Bielo-Rússia não deu detalhes sobre revisão, mas afirmou que projeto será validado mediante referendo

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 17h07

SOCHI, Rússia - O presidente bielo-russo Alexander Lukashenko confirmou nesta segunda-feira, 14, o desejo de mudar a Constituição do país. A declaração foi feita durante reunião com seu principal apoiador, Vladimir Putin, segundo informações do Kremlin. A solução foi a única proposta por Minsk para tentar sair da atual crise política. 

"Lukashenko confirmou sua intenção de fazer mudanças na Constituição", afirmou o porta-voz  russo Dmitri Peskov após o encontro, que durou mais de quatro horas e aconteceu na cidade de Sochi, balneário no sul da Rússia.

Na reunião, Lukashenko e Putin discutiram sobre a "integração" dos dois países, ação defendida pela Rússia, mas à qual a Bielo-Rússia resiste. Segundo Peskov, o encontro foi "construtivo". Os dois presidentes abordaram "relações bilaterais e cooperação econômica", assim como questões militares e energéticas.

Peskov confirmou que Moscou concordou em conceder um empréstimo de US$ 1,5 bilhão para a Bielo-Rússia, cujas dificuldades econômicas aumentaram com a crise do novo coronavírus.

Lukashenko não entrou em detalhes específicos sobre o projeto de revisão constitucional, exceto que será validado mediante referendo.

A visita acontece após milhares de manifestantes protestarem em Minsk pelo quinto domingo consecutivo, exigindo a saída do chefe de Estado, que está no poder desde 1994. A mobilização tem se fortalecido, apesar da prisão e do exílio dos principais opositores.

Mais cedo, o presidente russo disse estar "convencido" de que Lukashenko poderá resolver a crise política que abala a Bielo-Rússia. "Estou convencido de que, considerando sua experiência (...), fará um trabalho neste sentido no mais alto nível e permitirá que o  desenvolvimento do sistema político do país alcance novos patamares", disse Putin, pedindo a reforma constitucional prometida por Lukashenko, de acordo com imagens de sua reunião transmitidas pela televisão russa.

Mudança de política 

Após acusar a Rússia, antes da eleição, de querer "desestabilizar" seu país, Lukashenko deu um giro de 180 graus para obter seu apoio diante das enormes manifestações que, em sua opinião, são organizadas pelo Ocidente.

A líder da oposição bielo-russa, Svetlana Tikhanóvskaya, obrigada a se exilar na Lituânia, repreendeu Putin. "Lamento que tenha decidido manter diálogo com o usurpador, e não com o povo bielo-russo", disse em uma mensagem divulgada por seu serviço de imprensa.

Svetlana Tikhanóvskaya reivindica a vitória na eleição presidencial de 9 de agosto. Ela entrou na política após a prisão de seu marido, a quem substituiu. Para ela, qualquer acordo entre Rússia e Bielo-Rússia assinado por Lukashenko seria "legalmente inválido", já que sua reeleição foi "ilegítima". /AFP 

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