Lula cobra dos EUA ação sobre reforma do CS da ONU

Surpreendido pela declaração de Barack Obama, que deu apoio à entrada da Índia como membro permanente de um Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) reformado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem à noite, ao desembarcar em Maputo, capital de Moçambique, que espera que "Obama faça agora desse compromisso dele com a Índia uma profissão de fé e consiga efetivamente abrir o Conselho a outros países".

AE, Agência Estado

09 de novembro de 2010 | 07h43

Lula ainda não havia sido informado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, das declarações de Obama. Para o presidente, a decisão de os EUA apoiarem a Índia não invalida a pretensão brasileira de conseguir seu assento permanente. O importante, disse, é que haja uma reforma no organismo. "Os EUA são apenas uma voz dentro do Conselho de cinco", acrescentou, lembrando que há outros países que apoiam o Brasil, como França, Grã-Bretanha e China.

"É importante que a gente tenha uma ONU fortalecida, uma ONU mais representativa, uma ONU que fale um pouco a política do século 21. E eu acho que vai haver um processo de amadurecimento. Nessa crise econômica de 2008, ficou muito claro a fragilidade dos instrumentos multilaterais para tomar decisão e fazer com que os países cumpram. Então, acho que ficou mais clara também a necessidade do fortalecimento da governança local, e obviamente a ONU é o mais importante organismo multilateral que nós temos no mundo."

Lula lembrou ainda que o Brasil também a defende a participação da Índia no Conselho, já que ela integra o G-4, juntamente com o Brasil, a Alemanha e o Japão, que reivindica a reforma das Nações Unidas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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