Lula cobra empenho de Obama sobre reforma do Conselho de Segurança

Brasileiro disse esperar que colega faça de discurso em favor da criação de uma vaga no órgão para a Índia uma 'profissão de fé'.

BBC Brasil, BBC

08 de novembro de 2010 | 22h45

Para Lula, crise de 2008 mostrou fragilidade dos órgãos internacionais

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta segunda-feira esperar que seu colega americano, Barack Obama, "faça do seu compromisso com a Índia uma profissão de fé e consiga efetivamente abrir o Conselho de Segurança (CS) para que outros países possam participar".

Lula se referia ao discurso feito também nesta segunda por Obama em Nova Déli, em que o americano defendeu uma reforma no CS e a entrada da Índia como membro permanente do órgão.

"Acho que é importante que haja uma reforma nas Nações Unidas. Todos temos clareza de que a ONU não pode continuar sendo representada como se tivéssemos saído da Segunda Guerra Mundial. Já faz 60 anos, a geografia política do mundo mudou, a geografia econômica mudou, portanto é importante que haja essa reforma", afirmou o presidente.

Governança global

Lula falava à imprensa pouco após desembarcar em Maputo, capital de Moçambique, onde faz visita oficial de dois dias.

Segundo o presidente, a demora em reformar o CS está diminuindo a importância da ONU.

"Todo mundo com que conversei nesses oitos anos me diz que o Brasil deve estar no Conselho, mas me parece que, mesmo aqueles que são favoráveis, não fazem nada para mudar, porque eles estão lá se segurando num cargo."

Para Lula, a crise econômica de 2008 demonstrou a necessidade de fortalecer a governança global.

Ele disse ser "impensável" uma reforma no CS que não inclua todos os continentes e lembrou que o Brasil faz parte, ao lado da Índia, Alemanha e Japão, de um grupo que pleiteia mudanças no órgão.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros, dos quais cinco (Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) são permanentes. O Brasil ocupa até 2011 uma das vagas rotativas.

O órgão delibera sobre intervenções militares e conflitos políticos, e cada membro permanente tem o poder de vetar decisões tomadas pelo conselho.

Com reportagem de Pablo Uchôa, enviado da BBC Brasil a Maputo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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