Lula condena posição dos EUA sobre Irã

Para presidente, é 'grave' Obama e o CS da ONU não terem conversado com Teerã

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

Depois de ir ao presidente americano, Barack Obama, pedir mais tempo ao Irã antes de se recorrer a sanções contra o programa nuclear iraniano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou ontem publicamente a posição dos EUA e de países com cadeira no Conselho de Segurança da ONU sobre o caso. "O que eu acho que é grave é que até agora o presidente Obama não conversou com o Irã. Nenhum presidente do Conselho de Segurança da ONU conversou com o Irã", afirmou Lula, após participar de um evento em São Paulo.

 

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Lula esteve com Obama na terça-feira num encontro à margem da Cúpula de Segurança Nuclear em Washington. Mas Obama não se mostrou disposto a acolher a proposta do Brasil e da Turquia.

Lula lembrou da guerra contra o Iraque e disse que não gostaria que a situação se repetisse com o Irã. "Como já vi a guerra do Iraque acontecer por conta de armas químicas que a sociedade foi induzida a crer que existiam, não quero que isso se repita com o Irã." Em seguida, exigiu mais uma vez a abertura de diálogo. Lula defendeu a visita de uma missão oficial do Brasil a Teerã em maio. "Vou lá muito à vontade porque o Brasil é parceiro comercial do Irã. Como sou um homem de paz vou tentar evitar que haja infração porque ela só cria mais animosidades", disse.

Apesar do discurso pró-Irã, o presidente enfatizou ser contra a produção de armas químicas. "Quero dizer ao presidente do Irã que o Brasil é signatário das decisões da ONU e, portanto, é contra qualquer arma nuclear. Vou conversar olho no olho e, se ele disser que vai construir, vai arcar com as consequências do seu gesto."

Petrobrás. O chanceler Celso Amorim falou ontem sobre possíveis dificuldades criadas pelos EUA para a Petrobrás por causa dos negócios da companhia brasileira no Irã. Em seminário ontem no Rio, ele comentou que existem leis nos EUA que dificultam que companhias com operações no país tenham negócios "acima de certo limite" no Irã.

"São leis unilaterais, que não apreciamos, mas a empresa terá de fazer seu julgamento", afirmou Amorim, referindo-se à Petrobrás, mas sem citar o nome da estatal. Ele ressaltou que "o Brasil não segue sanções impostas por qualquer país, sejam os EUA, seja a União Europeia". Segundo Amorim, o Brasil segue a ONU.

O projeto para aplicar novas sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU pode explicar a pressa do Brasil em fechar um acordo com Teerã para a criação de linhas de crédito entre os dois países. O Estado apurou que parte das novas retaliações seria aplicada contra os bancos iranianos e suas atividades no exterior. Mas o Banco Central do Irã seria poupado, por enquanto. / COLABORARAM JAMIL CHADE E ADRIANA CHIARINI

A posição do Brasil

País não quer "pôr Teerã contra a parede"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica sua recusa em apoiar novas sanções ao Irã com o argumento de que "colocar Teerã contra a parede" significará, na prática, o fim de qualquer solução negociada. O Itamaraty tenta se articular com a Turquia para viabilizar o acordo nuclear proposto em novembro na Suíça. Segundo o plano, o Irã trocaria seu urânio por combustível nuclear em um terceiro país. O chanceler Celso Amorim reiterou esta semana em Washington sua convicção de que o Irã e as potências ocidentais ainda podem fechar um pacto sob os termos negociados na Suíça. A proposta havia sido aceita por Teerã, mas setores conservadores fizeram o país recuar.

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