André Dusek/AE
André Dusek/AE

Lula defende perdão de dívida do Haiti e promete ajuda ao país

'É importante que a gente, neste momento, fortaleça o governo do Haiti', diz presidente em Porto Príncipe

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 16h53

Em discurso hoje na base militar brasileira no Haiti, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco Mundial e a outros credores que perdoem a dívida de US$ 1,3 bilhão que o Haiti deve a estes órgão.

 

 "Nós precisamos fazer gestão junto aos credores: anistiem a dívida de US$ 1,3 bilhão do Haiti. É preciso que o Fundo Monetário e o Banco Mundial anistiem essa dívida do Haiti", disse. E  completou:

 

 "O perdão da dívida não vai resolver as necessidades do Haiti, mas vai permitir que o Haiti esteja credenciado a começar a estabelecer novas linhas de crédito junto ao sistema financeiro internacional".

Lula disse que na reunião da União de Nações sul-americanas (Unasul), em Cancun, na manhã de terça-feira, ficou acertada uma doação ao Haiti de US$ 300 milhões. Desse total, caberá ao Brasil a doação de US$ 100 milhões. Lula explicou que o dinheiro será repassado para o Haiti para que o governo decida onde, como e quando aplicar para recuperar o seu país.

"Nós nos subordinaremos ao governo do Haiti", afirmou. "Não é sair do Brasil e vir aqui fazer do jeito que nós quisermos. Esse país tem governo legitimamente eleito pelo voto popular e toda ajuda do Brasil será via governo do Haiti", declarou.

Lula reafirmou também ao presidente do Haiti, René Préval, que o governo brasileiro está disposto a fazer tudo que estiver alcance para ajudar o país. Também ressaltou a necessidade de fortalecer o governo haitiano. "É importante que a gente, neste momento, fortaleça o governo do Haiti. É através do governo que temos de fazer política de solidariedade", afirmou.

O presidente relatou que René Préval disse que o principal, no momento, é recolher os escombros do terremoto, de preferência pelas vilas, e fazer acampamento no local. Segundo Lula, a ideia de Préval é fazer pequenos acampamentos, e não grandes, nos locais onde as populações já viviam.

 

Para isso, disse Lula, é preciso que se defina o tipo e o número de máquinas que serão necessárias para começar este trabalho de retirada escombros. Reiterou que tudo será coordenado pelo governo do Haiti e pela missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, liderada pelo Brasil.

 

Refundação

O presidente René Préval agradeceu o apoio reafirmado por Lula, fez um relato das dificuldades, e disse que é preciso "refundar" o Haiti". Justificou que pediu para que sejam feitos pequenos acampamentos - e não grandes - porque, segundo ele, a população prefere ficar nos seus bairros "onde tinham suas vidas".

Durante o encontro, os presidentes Lula e René Préval assinaram um acordo de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Por esse acordo, os ministérios brasileiros do Desenvolvimento Agrário e o de Combate à Fome se comprometem a comprar alimentos produzidos pelos pequenos produtores haitianos.

 

O próprio presidente Lula, após a assinatura do acordo, explicou que a estratégia de comprar alimentos dos haitianos - em vez de mandar alimentos para aquele país - funcionaria como uma forma de dar emprego a eles.

O acordo foi assinado na base militar brasileira no Haiti. Também foram assinados acordos de construção de cisternas, recuperação da educação superior e formação profissional, entre outros. 

 

 

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