Lula defende reeleição de Chávez

Na Venezuela, presidente brasileiro diz que questão se liga ?à cultura e à vontade de cada povo?

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, em entrevista coletiva, a iniciativa de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, de propor a realização de um referendo sobre a possibilidade de o país adotar um sistema de reeleição ilimitada para presidente e outros cargos do Poder Executivo do país. Lula, porém, ressalvou de que não considera esse o caminho para o Brasil. "Obviamente, vou trabalhar para fazer o meu sucessor", resumiu.Sobre as pretensões de Chávez, Lula declarou: "Ele é jovem e aguenta um novo mandato." O presidente insistiu que a questão está relacionada "à cultura e à vontade de cada povo". Argumentou que o processo democrático se traduz na garantia de que todos os candidatos participem de eleições nas mesmas condições. Lula foi questionado por jornalistas sobre o tema da reeleição enquanto estava ao lado de Chávez durante uma visita ao Projeto Agrário Socialista Planície de Maracaibo, onde participou de um encontro bilateral do mecanismo de reuniões trimestrais entre os dois presidentes.O presidente brasileiro aproveitou para dar uma alfinetada no seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Lula afirmou que, se a economia brasileira estivesse bem entre 1998 a 2002, e as pesquisas indicassem alta popularidade do então presidente, teria aparecido um deputado com uma proposta de emenda constitucional para uma nova reeleição.Na avaliação de Lula, caberá aos eleitores definir se querem ou não a reeleição ilimitada. "No dia em que o povo não quiser mais, não vai votar em você, vai votar em outro", afirmou o presidente brasileiro, dirigindo-se a Chávez. Coincidentemente, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) confirmou ontem para o dia 15 a votação do referendo sobre a reforma constitucional.OBAMALula também afirmou na Venezuela que não vê Barack Obama como um "presidente normal dos EUA". Na avaliação do presidente brasileiro, a eleição de um negro para a presidência dos EUA é um algo "extraordinário". Lula sugeriu a Obama, que toma posse terça-feira, que transforme sua eleição em "um gesto de transcendência para a América Latina, respeitando a soberania e a democracia" na região. Em seu discurso, de 45 minutos, Lula defendeu a necessidade de Chávez e Evo Morales, presidente da Bolívia, iniciarem o contato com Obama.

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