Lula descarta hipótese de País ser depositário de urânio para o Irã

Presidente contraria declarações de Amorim pouco antes de fazer afirmação diferente da de Marco Aurélio Garcia

Denise Chrispim Marin e Leonêncio Nossa, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisou de apenas 24 horas para desmentir em público as declarações sobre o Irã feitas de seus dois principais colaboradores no campo da política externa, o chanceler Celso Amorim e o assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Ao lado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no Itamaraty, Lula negou a possibilidade de o Brasil tornar-se depositário de urânio levemente enriquecido iraniano e descartou a hipótese de um ataque militar dos EUA contra o Irã.

Na terça-feira, em Teerã, Amorim disse que o Brasil consideraria uma proposta de receber urânio iraniano em seu território como meio de tornar viável um acordo entre o Irã e as potências nucleares, mediado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Em reunião com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o chanceler insistiu para que Teerã apresentasse garantias do propósito pacífico de seu programa nuclear e se engajasse nas negociações mediadas pela AIEA.

"O Brasil não trabalha com a hipótese de ser depositário do urânio do Irã. Há lugares mais perto do Irã que o Brasil. Mas isso vai depender muito do Irã", afirmou Lula, referindo-se especialmente à Turquia, país que já se colocou à disposição.

Pouco antes, Lula fora questionado sobre a afirmação de Garcia de que um "ataque ao Irã teria efeito muitíssimo superior àquele que teve a ação contra o Iraque nos anos 90 e, depois, nos anos 2000". "Eu, sinceramente, não vejo hipótese nem oportunidade política de os EUA invadirem o Irã", disse Lula.

O presidente deu a entender que detém as rédeas do processo de interferência do Brasil na crise em torno do Irã e reforçou suas dúvidas sobre o propósito pacífico do programa nuclear iraniano. Lula destacou que em sua visita a Teerã, no dia 15, espera poder "convencer os iranianos a não construir a bomba nuclear".

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