Lula destaca méritos de nova presidente do Chile

Michelle Bachelet não foi eleita por ser mulher, mas por seus méritos e por ter melhores condições de governar o Chile. Essa síntese, que afasta as interpretações simplistas sobre a eleição de uma mulher para a presidência de um país claramente conservador, foi transmitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Escolhido para discursar durante o almoço oferecido por Bachelet no Palácio de Cerro Castillo, em Viña del Mar, em nome das 120 delegações estrangeiras presentes, Lula concluiu sua fala com um sonoro "Michelle, estamos contigo" - uma adaptação do slogan da campanha da nova presidente chilena, "estoy contigo". "Michelle Bachelet, você não foi eleita por ser mulher, mas por seus atributos, que aos olhos do povo chileno - homens e mulheres - lhe conferem as melhores condições para governar o Chile", declarou, em português. "Mas, felizmente, para a sociedade chilena, você não deixou de ser eleita por ser mulher." Pouco antes, ao final da cerimônia no Congresso Nacional, Lula havia ressaltado que a posse de Bachelet é "um tijolo a mais" na consolidação da democracia na América do Sul e simboliza uma evolução na participação política das mulheres no continente. Também afirmara que os historiadores devem destacar o fato de que, a partir da eleição de abril no Peru, ele e Hugo Chávez, da Venezuela, serão os "presidentes mais antigos da América do Sul". "Ela é uma mulher experiente e lutadora. Tenho certeza que vai fazer um bom governo e trabalhar para a consolidação da democracia", afirmou Lula sobre Bachelet. No seu discurso, o presidente teve o cuidado de cobrar a preservação da política em favor do multilateralismo do ex-presidente Ricardo Lagos no governo Bachelet. Argumentou que o Chile é um "ator importante nas grandes decisões" latino-americanas e, ao destacar a presença do presidente eleito do Haiti, René Préval, afirmou que seu país, o Uruguai, a Argentina, o Peru e o Brasil provaram que o mundo será melhor se trilhar "os caminhos da paz, dos direitos humanos e do respeito ao direito internacional".

Agencia Estado,

11 Março 2006 | 18h58

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