Lula deve dizer a Irã para ''não cruzar a linha vermelha''

A aproximação do Brasil com o Irã pode ser positiva, desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva use o canal para deixar claro que Teerã não pode "cruzar a linha vermelha" na direção da produção de armas nucleares. A avaliação é de Gareth Evans, copresidente da Comissão Internacional de Desarmamento e Não-Proliferação Nuclear, que esteve ontem em Brasília. A seguir os principais trechos da entrevista ao Estado:

Renato Andrade / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

O que podemos esperar da conferência de revisão do Tratado de Não-Proliferação em maio?

Um acordo sobre o compromisso das nações nucleares em dar prosseguimento ao processo de desarmamento e um avanço na questão do Oriente Médio.

A discussão sobre sanções contra o Irã pode interferir na conferência?

Faremos duas coisas com o Irã. Uma é manter a porta aberta para uma negociação. Nesse sentido, esperamos que a posição do presidente Lula faça a diferença. Mas, ao mesmo tempo, não podemos permitir que o Conselho de Segurança da ONU e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sejam ignorados. O Irã não está respondendo os questionamentos e não está cooperando.

A posição do Brasil em relação ao Irã tem atraído várias críticas, tanto internas quanto externas. Como o senhor avalia essa atitude?

Se Lula estiver usando suas boas relações pessoais para passar uma mensagem clara sobre a necessidade absoluta de o Irã não cruzar a linha vermelha do que realmente importa, que é a construção de armas, ele estará dando uma importante contribuição e não deve ser criticado pela aproximação. Se o resultado da visita for dar ao Irã uma sensação de confiança, que pode seguir todo o caminho até a construção de armas, isso seria um resultado muito infeliz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.