Lula deve rever visita ao Irã, diz representante europeu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria rever seus planos de visitar o Irã em maio após a decisão de Teerã de enriquecer urânio a 20%. A recomendação foi feita pelo vice-ministro de Relações Exteriores da Itália, Vincenzo Scotti. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em Genebra, na Suíça, Scotti deixou claro que Bruxelas e Washington pretendem formar uma aliança para pressionar Teerã.

AE, Agencia Estado

10 de fevereiro de 2010 | 07h32

Os Estados Unidos anunciaram ontem que querem a aprovação de sanções contra o Irã "em questão de semanas, não meses". A China, porém, continuou a dar sinais de que é contra as medidas de pressão. "Estamos, de fato, conversando com os países emergentes, que precisam tomar posições claras", disse o vice-chanceler italiano, questionando a insistência do Brasil em manter o diálogo com o Irã.

Scotti é um dos políticos que mais ocuparam postos de alto escalão no governo italiano. Já foi chanceler, ministro da Cultura, do Trabalho, da Justiça e de Assuntos Europeus. "Temos de formar um grupo unido. Só assim mostraremos força para pressionar o Irã", afirmou. "A posição da Itália é a mesma da União Europeia e dos EUA."

A principal resistência entre países com assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) vem da China. Entre os membros não-permanentes, Brasil e Turquia são contra o cerco. Nigéria e Líbano não devem votar contra o Irã, que iniciou ontem a produção de urânio enriquecido a 20% na usina atômica de Natanz. Os EUA e alguns de seus aliados suspeitam que o país desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. Mas Teerã alega que pretende usar o seu urânio enriquecido para fins pacíficos.

Questionado sobre a visita de Lula a Teerã, em maio, Scotti foi claro: "Diante dos últimos acontecimentos, acho que Lula deveria pensar melhor." Fontes na diplomacia francesa confirmaram o mal-estar que uma viagem do presidente brasileiro a Teerã causaria na Europa. Um dos temores é o de que o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, use a ocasião para mostrar que não está isolado e conseguir legitimidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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