Lula diz que é adepto da paz 'desde útero' de sua mãe

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou hoje em Jerusalém que é adepto da paz "desde o útero" de sua mãe. Ao lado do presidente israelense, Shimon Peres, Lula defendeu o diálogo como a via da solução de conflitos, ciente de que Israel pressiona, no caso do programa nuclear iraniano, a imposição de sanções internacionais. "A paz está comigo desde que eu estava no útero da minha mãe. Eu não me lembro de ter entrado em uma briga", afirmou. "Olha que o meu partido (PT) é complicado", completou ele, provocando risos fortes na plateia de empresários brasileiros e israelenses.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

15 de março de 2010 | 09h34

Lula relatou que quando foi eleito presidente, em dezembro de 2002, conversou em Washington com o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que falava obsessivamente sobre o possível conflito armado no Iraque. Na ocasião, respondeu a Bush que o Iraque não era problema do Brasil e que, como chefe de Estado, teria de combater a guerra contra a fome e a pobreza no Brasil. "Eu pensei que enfrentaria a animosidade de Bush. Para presidente latino-americano, é difícil exercer seu mandato sem falar mal dos EUA", afirmou ele, em discurso feito no seminário Brasil-Israel: Livre Comércio e Oportunidades de Negócios.

Aos empresários e a Peres, Lula se qualificou como um líder que não teve tempo de discutir temas secundários nem para falar mal das pessoas, de criticar a oposição e de brigar com outros países. Nesse ponto, recordou-se de que seu governo apoiou a eleição de Evo Morales como presidente da Bolívia, mas a "primeira coisa que ele fez foi tomar a Petrobras" - uma referência à ocupação militar às refinarias da empresa brasileira no país, no dia do anúncio da nacionalização do setor de hidrocarbonetos.

Lula acrescentou que o governo brasileiro entendeu como "normal" a posse da Bolívia sobre o gás de suas jazidas e firmou um acordo, embora houvesse "gente no Brasil que queria ver o governo falar duro com os bolivianos". "Como um metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano?", questionou, referindo-se a Morales.

O presidente brasileiro arrematou seu raciocínio com a observação de que o diálogo permitiu a solução do impasse bilateral e elogiou o governo de Evo Morales. "Índio votar em índio é coisa normal. O anormal era (a Bolívia) ter um presidente loiro, de olhos azuis e que falava espanhol com sotaque."

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