Lula diz que 'prevaleceu o bom senso' em Honduras

Presidente disse que acordo 'foi aprendizado para todos que amam a democracia'.

Claudia Jardim, BBC

30 de outubro de 2009 | 20h30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elogiou nesta sexta-feira o acordo firmado entre o líder deposto de Honduras, Manuel Zelaya e o presidente interino do país, Roberto Micheletti, e disse que "prevaleceu o bom senso" no país.

"Aconteceu o que deveria acontecer, prevaleceu o bom senso, que é fazer um acordo, convocar eleições e Honduras voltar à normalidade. A lição que fica para nós é que ninguém mais aceita golpe militar. Todo mundo defende o fortalecimento da democracia. Espero que o acordo seja cumprido", afirmou Lula na base aérea de El Tigre, na Venezuela, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil.

"Acaba sendo um aprendizado para todos nós que amamos a democracia", afirmou.

De acordo com o presidente, o Brasil "fez muito bem" em manter Zelaya na embaixada em Tegucigalpa e não ter entregado o presidente deposto.

"O Brasil fez o que qualquer país democrático faria. Nem o Pinochet teve coragem de fazer qualquer coisa contra a embaixada de Cuba... quando todos os exilados ficaram na embaixada de Cuba", afirmou o presidente.

"Agora estamos torcendo para que o Congresso de Honduras seja a favor que o governante Zelaya possa presidir as eleições e que Honduras volte à normalidade."

Lula disse que tanto ele como o presidente venezuelano, Hugo Chávez compartilham da mesma opinião sobre a crise em Honduras.

Amorim

O presidente brasileiro disse ainda que o chanceler Celso Amorim conversou ontem (quinta-feira) com Zelaya e o líder hondurenho "estava satisfeito com o acordo".

Também na Venezuela, Amorim lembrou que o acordo restaura, como todos os governos da América do Sul desejavam, o poder ao presidente Zelaya e sobretudo, a democracia.

"Teria sido muito triste se não tivéssemos sido capazes de fazer isso (chegar a um acordo). Faltam alguns aspectos mas estamos confiantes."

Amorim afirmou também que Zelaya estava agradecido ao Brasil em sua embaixada na capital hondurenha, Tegucigalpa, onde está desde o dia 21 de setembro.

"A data de saída do Zelaya da embaixada é agora só um detalhe", finalizou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.