Lula diz que sanções da ONU foram impostas ao Irã por 'birra'

Chancelaria nega que País esteja isolado após votar contra medidas no Conselho de Segurança

Ana Ruth Dantas e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado

09 de junho de 2010 | 16h24

NATAL - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou que a nova rodada de sanções impostas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, 9, ao Irã foi imposta por "birra", já que não havia mais a necessidade da aplicação de tais medidas.

 

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Lula criticou a postura dos países que votaram como os EUA, país que mais lutou pelas sanções. "Eu acho que nós devíamos ter paciência quando constatamos o óbvio. O Brasil e a Turquia fizeram o que os países do Conselho da ONU não conseguiram fazer: levar o Irã para as mesas de negociação. Ao invés deles terem o comportamento de chamar o Irã para a mesa, eles resolveram, na minha opinião pessoal, por birra, manter as sanções que vão terminar não tendo nenhuma explicação para o Irã", disparou o presidente.

 

Lula, repetindo o discurso que empenhou durante toda a campanha a respeito do Irã, voltou a defende o diálogo como solução para o impasse nuclear. "Em política, a melhor forma de resolver o problema conflituoso é você gastar o máximo de tempo que você tiver dialogando. Quando fui ao Irã, muita gente dizia que eu estava enganado. Mas em 18 horas conseguimos assinar a carta com o Irã se comprometendo a cumprir aquilo que era o desejo dos membros de Segurança", afirmou o presidente após solenidade em Natal.

 

Isolamento

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil não se sente "isolado" após a decisão do Conselho de Segurança da ONU. "Não nos sentimos isolados, nós nos sentimos em boa companhia no caso da Turquia, país democrático, membro da OTAN", afirmou, em audiência pública na Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, se o Irã representasse uma ameaça nuclear, a Turquia seria "o primeiro país a se preocupar com isso", por fazer fronteira com o Irã.

 

Brasil e Turquia, junto do Líbano, foram os únicos membros do Conselho de Segurança a votar contra as sanções. Em maio, os dois países e o Irã firmaram acordo que previa a troca de 1.200 kg de urânio levemente enriquecido por 120kg de combustível nuclear para um reator de pesquisa. A Casa Branca considerou a proposta "inaceitável", devido ao não comprometimento de Teerã em parar com o enriquecimento de urânio.

 

"Esse acordo oferecia uma perspectiva de reabrir um diálogo com o Irã", afirmou Amorim, que criticou mais uma vez as sanções. "O Brasil não aprecia sanções, devido aos maus resultados que as sanções produziram em outros casos", acrescentou, citando o Iraque como exemplo.

 

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Questionado sobre os interesses nacionais na questão, o ministro defendeu que, "se o país se faz eleger membro do Conselho de Segurança, e o objetivo do Conselho de Segurança é manter a paz e segurança no mundo, não se pode furtar deste tema."

 

As sanções eram pretendidas pelas potências nucleares pelos temores de que o Irã enriqueça urânio para produzir armas atômicas. Teerã, porém, nega tais alegações e afirma que mantém o programa nuclear apenas para fins civis.

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