Lula é atração nos jornais argentinos

A foto do candidato Néstor Kirchner com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está estampada em todos os jornais argentinos. A foto imprime o peso não só do componente da notícia em si mas pelo assunto já ter tomado parte do folclore desta campanha presidencial, desde dezembro do ano passado, por ocasião de sua visita à Argentina, quando todos os candidatos queriam aproveitar a imagem de Lula para a foto de campanha. Há quase seis meses que os funcionários do governo brasileiro vêm desmentindo que Lula posaria para uma foto com algum dos candidatos ou que tomaria o partido por algum deles. Afinal, a foto saiu e quem ganhou foi Kirchner, o selo que o candidato esperava para fortalecer sua imagem auto-denominada de centro-esquerdista e capitalizar os votos daqueles indecisos, já que o presidente brasileiro desfruta de excelente imagem positiva junto aos argentinos, mais de 80%.A foto de ambos sorrindo é a principal da capa do La Nación que titulou: "Aval de Lula a Kirchner - forte apoio e promessas de fidelidade do presidente brasileiro?. O jornal dedicou uma página e meia sobre o assunto e opinou que Kirchner levava do Palácio do Planalto "uma definição concreta do presidente mais poderoso da região em favor de sua candidatura. E com olhar ao seu eventual governo, assentou a base da aliança que poderia definir a política exterior argentina a partir de 25 de maio". Na matéria intitulada "café, futebol e promessas de fidelidade prolongada", o jornal relata que um Lula, "sempre de bom humor" , e Kirchner conversaram sobre futebol e sobre a campanha. Quando Kirchner lhe contou sobre as boas perspectivas para o segundo turno, Lula disse: "menos mal, porque se ganha Menem vão ter me engessar". O jornal explica que como Lula prometeu ir à posse do novo presidente e ao receber Kirchner, explicitando seu apoio à ele, teria que inventar uma desculpa para não participar da posse, no caso de uma vitória de Menem. Assim como para os empresários e analistas da Argentina, o jornal também fez uma matéria mostrando que Roberto Lavagna é uma "excelente carta de apresentação para o candidato" entre os analistas brasileiros .O Clarín publicou duas página com a chamada de capa: "Um gesto forte de lula à Kirchner". O jornal afirma que Kirchner ganhou "elogios e um forte respaldo de Lula, em plena campanha" e mencionou que a reunião durou o dobro do que tinha sido previsto. O jornal destaca que além das manifestações de Lula, a atenção despertada pela imprensa brasileira "também foi um indicador de que todos aqui o consideram o futuro presidente argentino". O Clarin também destaca as "coincidências entre a equipe econômica de Lula e Lavagna" e que Kirchner e Lavagna "já anteciparam", se ganharem, sua união com o Brasil em sua idéia de pedir uma postergação da Alca. O Infobae afirmou que "Lula recebeu Kirchner como se já fora o presidente argentino" e destacou que "o pragmatismo e a autonomia de ação, são duas lições de Lula" que o candidato deve adotar se for eleito. O Ámbito Financiero disse que "a foto buscada" foi um "certificadado da benção de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno de domingo 18". O jornal considerou que Kirchner "exagera" ao acreditar que já é presidente e Lula também por recebê-lo como tal. O El Cronista também destaca que "Lula se soma ao jogo e concede à Kirchner tratamento de chefe de Estado". Irônico por natureza, o Página 12 usou praticamente toda a sua primeira página para estampar uma foto do presidente Lula sorrindo com o título: "se ganha Menem, me engesso para não ir", referindo-se à uma brincadeira feita pelo presidente. Também na capa, em um pequeno texto-legenda, o Página 12 afirmou que Kirchner conseguiu um forte respaldo de Lula à sua candidatura. Em sua reunião em Brasília, coincidiram em impulsionar a integração política entre os dois países".

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