CARL DE SOUZA / AFP
CARL DE SOUZA / AFP

Lula e Gleisi Hoffmann falam em 'golpe' contra Evo Morales na Bolívia

Ex-presidente da República e a presidente do PT criticaram movimentos que levaram à renúncia do então presidente; líderes de esquerda também manifestam apoio ao colega boliviano

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 19h32
Atualizado 11 de novembro de 2019 | 10h40

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmaram neste domingo, 10, que ex-presidente Evo Morales, da Bolívia, que renunciou neste domingo, sofreu um "golpe de estado" coordenado pela elite econômica. 

"Acabo de saber que houve um golpe de estado na Bolívia e que o companheiro Evo Morales foi obrigado a renunciar. É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres", escreveu o ex-presidene Lula, que deixou a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba na sexta-feira, após 580 dias preso. Lula cumpria pena pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex. 

Por sua vez, Gleisi Hoffmann afirmou que a "direita não combina com democracia" e falou em outro "golpe" na América Latina. Segundo ela, tirar Evo da presidência é desconhecer o resultado da eleição. "E não se submeter a outra é típico da elite atrasada, violenta e submissa ao capital. Agora vão tirar os direitos do povo boliviano. Já conhecemos esse script", escreveu Gleisi. 

No poder desde 2006, Evo Morales era o presidente latino-americano há mais tempo no poder. Ele renunciou após uma escalada de tensão desde que venceu as eleições sob acusações de fraudes no final de outubro. A Organização dos Estados Americanos (OEA), que fez uma auditoria no processo eleitoral, afirmou haver numerosas irregularidades no processo eleitoral daquele país. 

A saída de Evo ocorreu após três semanas de protestos e menos de uma hora depois de ele perder o apoio das Forças Armadas. 

Apoio da esquerda

Lideranças de esquerda de países vizinhos manifestaram solidariedade ao agora ex-presidente boliviano Evo Morales, e afirmaram que sua renúncia foi consequência de um “golpe de Estado”. Para Alberto Fernández, presidente eleito da Argentina - segundo maior país da América Latina, atrás apenas do Brasil -, a Bolívia viveu um golpe “como resultado de ações conjuntas de civis violentos, policiais ‘aquartelados’ e passividade do Exército”. “O colapso institucional na Bolívia é inaceitável. O povo boliviano deve escolher, o quanto antes, em eleições livres, seu próximo governo”, escreveu.

Outro líder regional a se manifestar, José Mujica, ex-presidente do Uruguai, pediu que os bolivianos não façam uso da violência para solucionar as contradições políticas. “Seria recomendável que pudessem esperar o parecer da OEA e depois tomar decisões pacíficas que possam dar uma saída racional às preocupações que têm”, afirmou. “É muito o que está em jogo. Mas nada vale tanto como a paz. (...) É preciso encontrar uma saída pacífica e que não traga dor para a massa do povo.”

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, manifestou solidariedade a Evo, condenou o que chamou de golpe e disse que “a direita”, com violência, “atenta contra a democracia”. “Nossa enérgica condenação ao golpe de Estado e nossa solidariedade ao irmão Evo Morales”, afirmou o cubano.

Já o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou apoiar relatório que recomendou novas eleições “para garantir um processo verdadeiramente democrático representativo da vontade do povo. A credibilidade do sistema eleitoral deve ser restaurada.”

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