Lula e Mujica fazem discurso pacifista na fronteira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Uruguai, José Mujica, fizeram discursos pacifistas nesta sexta-feira, defendendo o Mercosul e a integração regional, durante um encontro de duas horas na cidade fronteiriça de Sant''Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul. Sem citar Venezuela e Colômbia, países que estão em crise diplomática, Lula disse esperar que, no âmbito na União Sul-Americana de Nações (Unasul), sejam "aprofundados entendimentos para construir uma visão comum de defesa e segurança da região que consolidem a América do Sul como zona de paz e democracia".

ELDER OGLIARI, Agência Estado

30 de julho de 2010 | 16h43

Na sequência, sustentou que "Uruguai e Brasil querem uma América do Sul sem conflitos, integrada para alcançar o desenvolvimento". Lula também sugeriu que, quando ministros dos dois países tiverem eventuais divergências, lembrem do grau de amizade que há entre ele e Mujica e façam as pazes. O presidente uruguaio concordou ao afirmar que "num mundo que se globaliza, temos que nos juntar com Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, com todos".

Lula não falou com a imprensa, frustrando a expectativa de uma resposta às críticas que recebeu do presidente colombiano, Alvaro Uribe, que "deplorou" suas declarações de que a crise daquele país com a Venezuela é somente um caso pessoal. Mujica conversou brevemente com os repórteres, mas também evitou o assunto, sugerindo que seria melhor levar a pergunta aos colombianos e venezuelanos.

Defesa do Mercosul

Lula também fez uma defesa veemente do Mercosul num momento em que o candidato da PSDB à Presidência da República, José Serra, que não foi citado, vem criticando o bloco comercial. "Aos que aqui e ali propalam o suposto fracasso do Mercosul, advogando até mesmo o seu fim, lembramos que as quatro economias que mais cresceram na América são exatamente aquelas do nosso bloco", cutucou, admitindo que há pendências a resolver, como a eliminação da dupla tarifa externa comum e a implementação de um código aduaneiro, em meio a avanços como o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), que considera um instrumento de superação das assimetrias.

Os dois presidentes se encontraram no aeroporto de Rivera, no lado uruguaio, e foram ao Parque Internacional localizado no meio das duas cidades, descerrar uma placa alusiva ao encontro. Depois foram ao quartel do 7º Regimento de Cavalaria Motorizada, em Sant''Ana do Livramento, onde revisaram e assinaram acordos de cooperação na área de Defesa e de viabilização da hidrovia Uruguai-Brasil, entre as lagoas Mirim e dos Patos e também memorandos de entendimentos para cooperação científica e desenvolvimento da pesca.

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