Lula elogia americano, mas critica ''esmola''

Presidente achou pouco os US$ 100 milhões dados a empresas da região

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou ontem o "banho de América Latina" tomado pelo presidente americano, Barack Obama, na 5ª Cúpula das Américas, que muitos analistas pensaram que seria uma "batalha campal" entre os EUA e países como Venezuela e Bolívia. Lula deixou escapar, porém, seu desapontamento com o anúncio de uma ajuda financeira de apenas US$ 100 milhões dos EUA para pequenas empresas da América Latina. Segundo o Itamaraty, ao dar uma "incômoda esmola" à região, a Casa Branca perdeu a oportunidade de começar a pôr em prática o que ela promete ser um "novo estilo de relação" com os países do continente - alguns bastante prejudicados pela crise global. "Os EUA estão com um problema maior que o nosso (por causa da crise), mas se você pensar que esse país tem um PIB de US$ 17 trilhões, dedicar US$ 100 milhões para o continente é pouco", disse Lula. O presidente brasileiro se mostrou otimista sobre a adoção de um novo estilo de relação entre Washington e os países latino-americanos baseado na parceria, na cooperação e no "fim da ingerência" americana. Segundo Lula, os líderes da América Latina não precisam ser "amigos" do presidente dos EUA, Barack Obama, para melhorar a relação de seus países com Washington. Ciente das posições mais duras expostas pela Venezuela e seus aliados sobre o fim do embargo americano a Cuba, Lula insistiu que as relações devem ser desenvolvidas entre chefes de Estado, e não em amizades pessoais. Lula também agradeceu o ex-presidente americano George W. Bush por ter mantido com o Brasil "uma relação democrática, civilizada e de respeito". "Acho que é possível construir uma melhor relação com Obama. Todo o mundo sabe que a relação do (Bill) Clinton com o Brasil foi melhor que a do (Ronald) Reagan ou do Bush pai (George H.)", afirmou. Apesar de ter usado sua capacidade de conciliar diferenças na Cúpula de Trinidad e Tobago, o presidente brasileiro disse que não pretende ser apontado como um líder regional. Segundo Lula, mesmo com o apoio de todos os latino-americanos ao fim do embargo dos EUA a Cuba, nem Havana nem Washington pediram ao Brasil para intermediar as negociações entre seus líderes. Para ele, essas conversas devem ser diretas - se possível, entre um negociador nomeado por Obama e as autoridades cubanas. "Quem disser que é líder de um continente, de um grupo, vai quebrar a cara", afirmou, ao argumentar que nenhum país dá "procuração" para o outro agir em seu nome. Por causa de uma confusão, os presidentes não posaram para a última foto oficial. A maioria se retirou assim que acabaram os debates.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.