Lula envia Amorim à Síria para reativar negociações de paz com Israel

Diálogo é importante para encaminhar bem uma possível solução para o diálogo com os palestinos

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo

18 de março de 2010 | 11h21

AMÃ - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, à Síria com a missão de envolver Damasco nas negociações de paz entre Israel e os palestinos.

Veja também:

linkPaz com Israel é 'impossível', diz Síria

"A nossa mensagem é que a Síria é importante para o processo de paz no Oriente Médio porque Golán faz parte disso. Seria importante retomar as conversas entre a Síria e Israel para encaminhar bem a solução do conflito entre Israel e os palestinos", explicou o chanceler, referindo-se à retomada das discussões sobre a devolução das Colinas de Golán de Israel para a Síria.

O ministro insistiu que o Brasil e outros países podem trazer um "novo olhar" para o conflito, em contraposição à "visão tradicional que existe, vai continuar a existir e a quem ninguém quer substituir". A declaração é uma clara referência aos EUA e à União Europeia (UE).

Amorim garantiu que a iniciativa do governo brasileiro não foi previamento informada aos EUA. "Conversamos com os americanos e também com a Turquia. Mas não como um pedido", disse.

Diálogo

Questionado sobre a decisão de enviar Amorim a Damasco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insinuou que o Brasil está avançando nessa questão, beneficiado pelo vácuo de diálogo entre o EUA e a UE com a Síria e pela ineficácia da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente acrescentou que poderá fazer o mesmo com o Irã, para onde tem uma visita diplomática marcada para maio.

 

Para o presidente, todos os países envolvidos no conflito entre israelenses e palestinos têm de ser trazidos à mesa de negociação, mesmo que essa tarefa seja de difícil realização. Lula argumentou que, quando havia greve no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, considerava como o "pior erro" a proposta de não conversar com os patrões. "Se a mesa de negociações voltar a ser uma mesmice, o resultado vai ser uma mesmice", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.