Lula: greve de fome não vale para libertar dissidentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou hoje, em entrevista à Associated Press, o método utilizado por opositores políticos cubanos para pressionarem por sua libertação. "Eu penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberdade", disse o presidente.

AE-AP, Agencia Estado

09 de março de 2010 | 20h59

Lula também pediu respeito às determinações da Justiça cubana sobre detenção dos dissidentes que estão em greve de fome. "Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos, como quero que respeitem o Brasil", afirmou Lula.

Suas declarações ocorrem em um momento no qual o dissidente cubano Guillermo Fariñas se mantém em greve de fome, iniciada em 24 de fevereiro, na cidade de Santa Clara.

No fim do mês passado, o opositor Orlando Zapata morreu devido a complicações de saúde provocadas também por uma greve de fome enquanto Lula visitava Cuba para se encontrar com o presidente Raúl Castro e seu irmão, o ex-líder Fidel.

Lula recordou que em seu tempo de líder sindical de oposição à ditadura militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985, fez greves de fome e qualificou a prática como uma "insanidade".

"Gostaria que não ocorressem (detenções de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os prendeu, como tão pouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", acrescentou o líder brasileiro.

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