Lula homenageia Arafat; Israel fala em ''diferença''

Para porta-voz israelense, presidente mostrou 'apoio' a palestinos, mas apenas[br]'cortesia' ao Estado judeu

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL / RAMALLAH, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Num gesto repleto de simbolismo, durante o encontro com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva depositou ontem flores no túmulo do histórico líder palestino, Yasser Arafat. A visita à tumba de Arafat, aliada à recusa de Lula de modificar sua agenda para uma cerimônia em homenagem ao fundador do movimento sionista, Theodor Herzl, causou o protesto da ultradireita israelense.

Pouco depois de o chanceler israelense, Avigdor Lieberman (mais informações na página A16), ter confirmado que boicotou o discurso de Lula na Knesset (o Parlamento israelense), na segunda-feira, por causa da polêmica em torno da homenagem a Herzl, o tom das críticas ao brasileiro se elevou em Israel.

Para o porta-voz da chancelaria israelense, Yigal Palmor, Lula demonstrou "simpatia, apoio e compreensão em relação aos Palestinos, mas somente cortesia e boa educação em relação a Israel". "Essa é uma diferença que nós lamentamos", completou Palmor.

Avenida Brasil. Em Ramallah, Lula também inaugurou uma via que ganhou o nome de Avenida Brasil.

Segundo a prefeita de Ramallah, Janet Mikhail, o nome da avenida expressa os laços de amizade entre os povos brasileiro e palestino.

"Estou muito contente por inaugurar esta via, que expressa o carinho do povo palestino pelo povo brasileiro e também pela seleção brasileira de futebol", declarou Lula durante o ato, no qual reiterou o apoio do Brasil à paz no Oriente Médio.

Seguindo o protocolo oficial, a prefeita colocou um kefié, o tradicional lenço palestino, nos ombros de Lula e, para uma plateia de centenas de pessoas que portavam bandeiras brasileiras e palestinas, declarou que, no passado, o presidente do Brasil havia participado de várias manifestações em favor da causa árabe.

Depois, Lula encontrou-se com Abbas, com quem firmou uma série de acordos bilaterais de cooperação.

"É chegada a hora de dar passos resolutos para acabar com mais de meio século de conflito", afirmou o presidente brasileiro.

"Por isso, o bloqueio à Faixa de Gaza não pode continuar. O muro da separação deve vir abaixo. As restrições à livre circulação de pessoas nos territórios palestinos precisam cessar. A ampliação dos assentamentos também precisa parar", completou o presidente Lula, que só no dia de ontem teve de trocar de carro quatro vezes nos postos de controle instalados por Israel em sua "fronteira" com a Cisjordânia.

Com sua escala em Ramallah, Lula pôs fim à visita à Cisjordânia. / AP E EFE

Pressão

LUIZ INÁCIOLULA DA SILVA

PRESIDENTE DO BRASIL

"O muro da separação deve vir abaixo. A restrição à circulação de pessoas precisa cessar. A ampliação dos assentamentos também precisa parar"

YIGAL PALMOR

PORTA-VOZ ISRAELENSE

"Lula mostrou simpatia, apoio e compreensão aos palestinos, mas somente cortesia e boa educação em relação a Israel"

Israel reabre Esplanada das Mesquitas

A polícia de Israel reabriu ontem o acesso à Esplanada das Mesquitas, fechada havia cinco dias em resposta a uma série de protestos palestinos contra a expansão de assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental.

"A situação em Jerusalém é de calma absoluta", disse o porta-voz da polícia de Jerusalém, Miki Rosenfeld. Segundo ele, os "3 mil agentes acionados pela polícia se mantêm em alerta em Jerusalém Oriental para prevenir a ocorrência de casos de violência esporádica".

Segundo fontes palestinas, 50 manifestantes árabes foram feridos nos confrontos, que foram reprimidos com balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

Após o fechamento das passagens fronteiriças na Cisjordânia, milhares de palestinos que trabalham ou estudam em Israel não tiveram acesso ao Estado judeu. Os distúrbios e choques espalharam-se por vários pontos da Cisjordânia e em diversas zonas de Israel com maioria de população árabe. / Efe

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