Lula não comenta abrigo a Zelaya e defende democracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem à noite uma defesa da democracia existente no Brasil para uma plateia de investidores, empresários, acadêmicos e autoridades norte-americanas e brasileiras em Nova York. "O Brasil é país de instituições sólidas e democráticas", disse ele, ao receber o prêmio Woodrow Wilson para Serviço Social. Lula citou o caso de Honduras para enfatizar que os países não podem mais aceitar que aconteça um golpe militar.

NALU FERNANDES, Agencia Estado

22 de setembro de 2009 | 08h50

O presidente não fez nenhuma menção ao fato de que o presidente deposto, Manuel Zelaya, voltou ao país e buscou abrigo na embaixada brasileira, em Tegucigalpa. Lula foi informado do fato pelo ministro das relações Exteriores, Celso Amorim, quando ainda estava no avião, indo de Brasília para Nova York. Também após o discurso, procurado por jornalistas para comentar o caso, o presidente evitou o assunto: "falo com vocês amanhã", disse.

Ainda durante o discurso, Lula diz não ter dúvida de que Brasil e EUA precisam "cooperar para que possamos garantir que a democracia seja consolidada". "Por isso é que Brasil e EUA repudiaram o que aconteceu em Honduras. Nós não podemos aceitar mais golpe militar. Não temos o direito de aceitar que alguém se ache no direito de tirar uma pessoa eleita democraticamente. A posição do Brasil e dos EUA juntos é importante porque fortalece a democracia", afirmou.

Ao agradecer pelo recebimento do prêmio, Lula citou que, em dezembro de 2002, teve um encontro com o ex-presidente George W. Bush, pouco mais de um ano após o atentado terrorista às torres gêmeas do World Trade Center. Ele lembrou que Bush estava obcecado com o ataque e com a necessidade de fazer a guerra contra o Iraque. Lula afirmou que compreendia o presidente dos EUA, mas enfatizou que tinha outra guerra. "Eu dizia que a minha guerra é outra, é contra a fome. Temos 44 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza", relembrou. "Eu achava que Bush ia ficar bravo comigo, pois eu não queria aderir à guerra, mas ficamos amigos", disse, embora também tenha citado que não conseguiram avançar na reforma da ONU, ou na rodada de Doha.

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