Lula ofereceu ''bons ofícios'' a líder palestino

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, esteve com sua colega brasileira, Dilma Rousseff, apenas uma vez, no dia da cerimônia de posse, em janeiro. Menos de 48 horas antes, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia formalizado o reconhecimento do Estado palestino ao lado de Abbas.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2011 | 00h00

Segundo disse ao Estado o chanceler da Autoridade Palestina, Riad Malki (mais informações nesta página A19), Lula voltou a se encontrar com o presidente palestino no fim de junho, quando os dois participavam da cúpula da União Africana, na Guiné Equatorial. Além de assegurar o apoio brasileiro à iniciativa na ONU em setembro, o ex-presidente ofereceu seus "bons ofícios" para trazer ao barco pró-palestino mais países em desenvolvimento, revelou Malki.

Israel dá como certo o voto brasileiro a favor dos palestinos, mas quer "conter o ativismo" de Brasília. Número 2 do gabinete israelense, Moshe Yaalon chega ao País na semana que vem e, pelo protocolo, deveria se encontrar com o vice-presidente Michel Temer. Diplomatas israelenses solicitaram uma audiência com Dilma, na qual Yaalon conversaria sobre o apoio do Brasil aos palestinos na ONU. Mas o Planalto diz "não ver motivos" para o vice-premiê se encontrar com a presidente.

"A verdade é que, de Lula para Dilma, não houve nenhuma mudança na política externa", afirma o diplomata israelense. De Brasília, o vice do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu embarcará para Chile e Argentina - que também provavelmente votarão a favor do reconhecimento palestino em setembro.

Além de Yaalon, virá ao Brasil em agosto o ministro das Finanças de Israel, Yuval Steinitz, figura próxima a Netanyahu.

Debate. Para discutir a posição do governo Dilma diante do iminente embate na ONU, o Estado entrevistou dois integrantes da cúpula tanto do governo de Israel quanto da Autoridade Palestina (página A19).

Yaalon recebeu a reportagem em seu gabinete, em Jerusalém. Tido como um dos principais "falcões" da política israelense, ele afirmou que o Brasil não entende a "essência" do conflito no Oriente Médio e disse que o voto a favor dos palestinos é "imoral e muito perigoso".

Reunido na semana passada com todos os embaixadores palestinos na Turquia para traçar a estratégia na ONU, o chanceler Malki comemorou por telefone a posição de Dilma. Para ele, o Brasil "defende os direitos dos palestinos" e a presidente segue o caminho aberto por Lula.

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