Lula pede pelo Irã, mas Obama ignora

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, pediram ao presidente americano, Barack Obama, para que seja dado mais tempo ao Irã antes de se recorrer a sanções contra o programa nuclear iraniano. Lula e Erdogan reuniram-se por 15 minutos com Obama, ao final do encontro bilateral entre os líderes turco e americano.

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

O encontro com Lula, à margem da cúpula nuclear que terminou ontem em Washington, não estava previsto. "Acreditamos que ainda dá tempo de chegar a uma solução negociada", disse o chanceler Celso Amorim, acrescentando que Obama reagiu de forma positiva, dizendo que "muita coisa já foi tentada, mas ele não vê nada negativo em tentar uma solução negociada".

Mas, em declarações públicas, Obama não se mostrou disposto a acolher a proposta turco-brasileira de solução negociada. Na entrevista que concedeu ao final da conferência, Obama voltou a afirmar que os EUA querem que as sanções "avancem rapidamente e de forma agressiva" - sua ideia é que a ONU adote sanções antes de junho. Contrariando a proposta de Brasil e Turquia, Obama disse que a negociação se dá em "caminhos paralelos" e "as sanções são parte disso". "Muitos países têm relações com o Irã e nós entendemos, mas eu disse ao (presidente chinês) Hu Jintao e outros países: as palavras precisam significar alguma coisa, se ficarem zombando repetidamente das obrigações do Tratado de Não-Proliferação, é importante que haja consequências", disse Obama.

Lula estará em Teerã em 16 de maio. Segundo Amorim, Turquia e Brasil seriam especialmente qualificados para intermediar a questão iraniana, porque os dois países "têm boas relações com o Irã". O País defende que se tente novamente um acordo nos moldes do proposto no ano passado pela Agência Internacional de Energia Atômica, segundo o qual o Irã entregaria seu urânio para ser enriquecido em outro país (Rússia ou França, por exemplo).

O Brasil também ironizou o suposto apoio da China às sanções. "Só sabemos como a China se sente em relação às sanções por meio da Casa Branca e do porta-voz do Departamento de Estado", ironizou o ministro

Em relação ao acordo para a abertura de uma linha de crédito entre os bancos centrais do Irã e do Brasil, anunciado em Teerã na segunda-feira, o Itamaraty disse que ele não viola nenhuma norma. "O que existe hoje são sanções unilaterais, de cada país, que desrespeitam o direito internacional", disse ao Estado uma fonte do Itamaraty.

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