Lula pede rapidez na volta de Zelaya ao poder

Em reunião em Brasília, presidente prometeu falar com Obama sobre a crise em Honduras

Mariângela Gallucci, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Brasília ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que a sua recondução ao poder tem de ser feita de forma rápida."Nos preocupa a demora", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após a audiência entre Lula e Zelaya. Ele disse que Lula se dispôs a falar no momento oportuno com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Segundo Amorim, quanto mais o tempo passa, menores são as chances de que as eleições presidenciais programadas para novembro em Honduras sejam reconhecidas como legítimas pela comunidade internacional. "Isso é ruim para a democracia. Então é preciso que não só o presidente Zelaya volte, mas que volte rápido", disse Amorim. O Itamaraty aproveitou a visita do presidente deposto para renovar a pressão sobre os golpistas hondurenhos, que assumiram o governo no dia 28 de junho depois que militares armados tiraram Zelaya de casa ainda vestido de pijama e colocaram o presidente deposto num avião para a Costa Rica."Para que o presidente Zelaya volte rápido é preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro. Quem pode dizer isso com todas as letras para eles são os Estados Unidos, porque têm maior influência direta. Mas isso dentro do marco multilateral e da carta democrática que todos apoiamos. É muito importante que isso ocorra", disse Amorim. Zelaya contou ao presidente Lula que o avião usado para expulsá-lo de Honduras fez uma escala na base militar de Palmerola, controlada de forma conjunta pelo Exército hondurenho e forças americanas."O Pentágono tinha de saber que o avião estava sendo usado para um golpe de Estado", disse Zelaya.O presidente deposto disse ainda ter recebido um novo convite para visitar a secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, em Washington.Para o chanceler brasileiro, é preciso que o governo de facto entenda que não há espaço para golpes na região. Segundo ele, isso tem de ser dito claramente pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo governo dos Estados Unidos."Não há dúvida sobre o apoio do Brasil à volta imediata e incondicional do presidente Zelaya a Honduras."Zelaya viaja hoje para o Chile, onde deve se encontrar com a presidente Michelle Bachelet.MANIFESTAÇÕESOntem, manifestantes pró-Zelaya e forças de segurança que apoiam o governo de facto voltaram a entrar em choque nas ruas da capital hondurenha, Tegucigalpa.A polícia e o Exército usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, que se concentrou próximo do edifício do Congresso hondurenho. COM AFP E EFE

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