Lula pede reformas na ONU e órgãos de Bretton Woods

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender mudanças na Organização das Nações Unidas (ONU) e nas instituições financeiras de Bretton Woods. Na opinião dele, elas "requerem reformas para deixarem de ser uma sombra distorcida de um passado há muito superado". Lula advertiu ainda que, "ao primeiro sinal da recuperação econômica mundial, não se deve abandonar os compromissos com mudanças profundas" e avisou que vai levar este recado à reunião do G-20 em Toronto, nos dias 26 e 27 de junho. "Agora que a instabilidade voltou, reafirmaremos a urgência de corrigir desequilíbrios, discriminações e injustiças que levaram à crise".

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

27 Maio 2010 | 17h53

A declaração de Lula foi feita após reunião com o primeiro-ministro da Turquia , Recep Tayyip Erdogan. Ambos defenderam o aumento do comércio entre os dois países, e o premiê turco citou que 160 empresários de seu país vieram ao Brasil. Lula citou que o comércio entre Brasil e Turquia aumentou 330% entre 2002 e 2008, tendo superado US$ 1 bilhão. "Mas nosso potencial é maior", avisou, tese endossada pelo primeiro-ministro turco depois, dizendo que os números hoje, são "insuficientes" e prometem "salto qualitativo no curto prazo".

Flexibilidade

O presidente Lula afirmou que "a flexibilidade, e não o dogmatismo, aproxima os povos" e que "é o engajamento construtivo, não o isolamento e a punição que nos leva ao entendimento". Segundo ele, este foi o espírito que norteou a atuação dos dois países na negociação com o Irã.

"A declaração de Teerã constitui oportunidade que não pode ser desperdiçada. Ela não resolve todos os problemas de uma única vez, mas restabelece as condições para o diálogo como caminho mais eficiente para superar divergências e construir a confiança em torno do objetivo exclusivamente pacífico do programa nuclear iraniano", afirmou Lula.

"Queremos superar dogmas e temores que empobrecem o convívio entre as nações, reduzem os espaços de cooperação e conduzem o mundo a riscos inaceitáveis", afirmou Lula no seu discurso ao lado do primeiro-ministro turco, acrescentando que, por isso, defende um Oriente Médio desnuclearizado e em paz porque não concorda que a região esteja "fadada ao conflito". Em seguida, citou que Brasil e Turquia são exemplos de que esta convivência pode ser pacífica e harmoniosa entre muçulmanos e judeus.

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