Lula pede reformulação do Conselho de Segurança

No seu discurso de improviso, no qual pediu reformulação da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendeu as Malvinas para a Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que a presidente daquele país, Cristina Kirchner, já havia ido embora de Cancún, onde a reunião de cúpula dos países latino-americanos e do Caribe está sendo realizada, mas que aproveitava este encontro para fazer um apelo aos demais governantes que, muitas vezes evitam discutir assuntos de interesse da região por divergências entre eles. Para Lula, este "é o momento político" de se discutir a reformulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2010 | 15h31

"É inexorável que a gente discuta este papel (do Conselho de Segurança da ONU). Não é possível que ele continue representado pelos interesses da Segunda Guerra Mundial. Por que isso não muda?", indagou. E apelou: "se nós não enfrentarmos este debate, a ONU vai continuar a funcionar sem representatividade e o conflito no Oriente Médio vai ficar por conta do interesse dos norte-americanos quando, na verdade, a ONU é que deveria estar negociando a paz no Oriente Médio".

Ao questionar por que a ONU se afasta desta discussão, reiterou que é porque ela perdeu a sua representatividade. "Muitos países preferem a ONU frágil para que eles possam fazer do seu comportamento a personalidade de governança mundial", desabafou Lula, que chegou a dar um murro na mesa enquanto falava, exaltado.

Lula passou a comentar, então, o que houve na Conferência do Clima, em Copenhagen. Lá, observou, nem a União Europeia, nem a Alemanha, nem a Inglaterra, nem os Estados Unidos levaram em conta o continente africano, nem o interesse dos países sul americanos. "Havia um determinado momento em que o consenso era que o grande culpado (dos problemas do aquecimento global e poluição) era a China", disse.

"Tudo era feito para negar o protocolo de Kyoto, para que se tirasse dos europeus as responsabilidades e jogasse nas costas da China o fracasso da reunião do clima", desabafou o presidente, que passou a atacar a organização do encontro em Copenhagen. "Nem quando era sindicalista, vi numa reunião tão desorganizada. Eu falei desorganização. Vocês não têm a dimensão da pobreza de espírito. Tinha presidente de grande país importante discutindo parágrafo e artigo para questionar a China no dia seguinte sobre clima", alfinetou Lula, que passou a cobrar responsabilidade dos países desenvolvidos.

"Não é possível que países ricos deem uma quantia pequena como se tivessem dando favor. Não existe favor. É reparação que eles estão fazendo", declarou Lula, afirmando que "Copenhague não deu certo porque não tinha organização nem coordenação".

América Latina

Lula lembrou que está deixando o governo em 31 de dezembro, e falou que é preciso que os países menores se unam para enfrentar e mudar o Conselho de Segurança. O presidente falou ainda que, quando a tragédia do terremoto atingiu o Haiti, aquele país já estava em uma miséria muito grande e já havia sido explorado por "ladrões" e "ditadores". Advertiu também que toda ajuda a ser dada ao Haiti "tem de passar pelo governo eleito democraticamente para aquele país, senão, daqui a pouco todo mundo estará governando o Haiti e não o seu presidente ou o primeiro ministro", em uma crítica velada aos Estados Unidos que assumiram parte do controle da segurança do País.

Lula defendeu ainda o ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya e disse que a eleição de Porfírio "Pepe" Lobo, foi "truncada" e que "nem de brincadeira" se pode aceitar que uma junta militar" governe um país. Para ele, o certo era Zelaya ter terminado seu mandato e aí sim terem novas eleições. Acrescentou ainda que "foi justa" a condenação da Organização dos Estados Americanos (OEA) à Honduras.

O presidente brasileiro voltou a condenar o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba e, por fim, ao reiterar a importância do novo organismo que estava sendo criado para defender os interesses da região, disse que ali estavam representados chefes de Estado e não ideologias.

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