Lula pediu a Chávez que ''baixasse o tom'' com EUA

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, à Venezuela para pedir que seu colega Hugo Chávez "baixasse o tom com os EUA", segundo informações contidas em documentos diplomáticos de abril de 2005 vazados ontem pelo WikiLeaks e publicados no jornal espanhol El País.

, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

Segundo o relatório, Dirceu disse ter sido enviado por Lula em uma reunião com John Danilovich, então embaixador americano em Brasília. O ex-chefe de gabinete brasileiro teria pedido que o presidente venezuelano "deixasse de brincar com fogo".

De acordo com o relatório enviado por Danilovich ao Departamento de Estado dos EUA, Dirceu teria ido a Caracas "levando a contundente mensagem de que Chávez deveria renunciar a sua retórica de provocações e se concentrar nos problemas internos de seu país". O embaixador explicou a Dirceu que a posição de Washington em relação a Chávez era a de não contestar o venezuelano para não precisar dar explicações. "As provocações de Chávez contra os EUA prejudicam os interesses nacionais da Venezuela e são motivos de preocupação para o Brasil e outros países vizinhos", escreveu Danilovich.

Ainda segundo o relatório, Dirceu teria prometido comunicar Chávez de que, não apenas a Casa Branca, mas os EUA, começavam a ver Caracas como um problema.

O embaixador ainda teria alertado o ex-ministro de que o silêncio brasileiro em relação ao líder venezuelano poderia criar a impressão de que haveria uma aliança Brasil-Venezuela da qual Chávez seria seu porta-voz.

Cuba. Dirceu ainda teria tratado da posição cubana em relação à Venezuela e argumentado que as tensões na América Latina não interessam a Havana, que "necessita de um ambiente de calmaria para trabalhar em soluções para sua frágil economia". De acordo com o documento, Dirceu teria dito que "se o governo dos EUA aliviasse o embargo em Cuba, a ilha seria irreconhecível em cinco anos".

O WikiLeaks começou a vazar no fim de novembro os mais de 250 mil documentos diplomáticos secretos obtidos pelo site, irritando Washington pelas revelações, que levaram à tona segredos e bastidores da política externa de Washington. / AP

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