Lula propõe a Blair mobilização por solução negociada no Iraque

Dando prosseguimento às conversas que têm mantido com vários líderes mundiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou hoje para o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, para defender uma solução pacífica para o conflito com o Iraque. Lula quis também manifestar a preocupação do País, com o impacto negativo que uma guerra poderia ter nas nações em desenvolvimento que estão fazendo um esforço para recuperar suas economias. O presidente brasileiro defendeu também a necessidade de as autoridades internacionais se mobilizassem em busca de uma solução negociada para o conflito entre Estados Unidos e Iraque. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanhou o telefonema, Blair teria ficado de refletir sobre a possibilidade de ocorrer uma discussão mais aprofundada. Além do temor de uma guerra sobre a economia dos países em desenvolvimento, Amorim contou que o presidente citou que existem preocupações de ordem política e humanitária. "A deterioração do clima econômico mundial, que de certa maneira já ocorre, tem um impacto sobre o Brasil, e dificulta o esforço de recuperação da economia, que está sendo feito internamente com participação e sacrifício de todos", comentou o ministro. "O que tentamos mostrar é que uma solução militar nos causa preocupação", declarou o ministro, acentuando que acredita que a postura brasileira tenha sensibilizado Tony Blair. "É evidente que tem de sensibilizar. Primeiro que não é só Brasil, muitos outros países estão em situação semelhante. Segundo, o Reino Unido é um país que tem muito boas relações, tem interesse econômico e tem interesse na prosperidade com os países onde eles investem e comerciam e acho que esta preocupação, vinda de um maior número possível de países é uma maneira de expressar que este é um assunto que interessa a todos." A ligação de Lula para Blair foi feita no Palácio do Planalto, pouco depois das 15 horas, com a ajuda de uma tradutora, e durou cerca de meia hora. "Houve muitos pontos de concordância entre eles", disse Amorim, citando a defesa do multilateralismo, a idéia de que se deve respeitar as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e que o Iraque deve ser desarmado. Na semana passada, Lula havia conversado com o presidente francês, Jacques Chirac, e na segunda-feira, com o chanceler alemão Gerard Schroeder. Em meados de fevereiro, conversou com presidentes da América Latina. Amorim disse que, em nenhum momento, o presidente Lula se comprometeu a assinar documento se alinhando com a posição da França, Rússia e Alemanha, que estão se posicionando contra a guerra. "O presidente Lula relembrou apenas o apoio que demos à declaração destes três países, em favor de um reforço das inspeções e de se dar mais tempo aos inspetores. Mas não se falou em assinar nenhum documento", disse o ministro. Amorim disse que deve-se "lutar até o último minuto, para se buscar uma solução pacífica que seja condizente com as resoluções das Nações Unidas". "Enquanto não se dispara o primeiro tiro, há tempo para se tentar tudo e ocorreram casos no passado até que aviões já tinham decolado e receberam ordens para voltar". Celso Amorim negou que o Brasil queira liderar um bloco na América Latina contra a guerra. "O Brasil é muito ouvido, não só pela liderança que o presidente Lula tem, que é natural, liderança moral e política, mas porque é um país que simboliza muito os países em desenvolvimento", afirmou. "É muito importante que a nossa voz seja ouvida diretamente por esses governantes."De acordo com Amorim, Tony Blair não fez ponderações em favor do ataque. "O tom geral da conversa não era este. O tom era de preferência por uma solução pacífica e é claro que o primeiro ministro acentuou muito que é importante que o Iraque cumpra com todas as suas obrigações."Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula - Os primeiros 100 dias

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