Lula propõe à ONU reunião do países contrários a guerra

Em carta que encaminhou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Koffi Annan, na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugere a realização de uma reunião de alto nível de países interessados na busca de uma saída política para o conflitos entre os Estados Unidos e o Iraque. A reunião seria convocada "sob a autoridade moral e política do secretário da ONU e poderia servir com um fórum de discussão de idéias para buscar uma saída pacífica para o confronto", sustenta Lula.O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que levou pessoalmente a carta a Kofi Anann, com quem se encontrou em Haia, na Holanda, disse que o secretário da ONU vai refletir sobre a sugestão. "Qualquer solução não pacífica já não nos agrada", declarou o ministro, no Palácio do Planalto, depois de retoranar da Europa. "Agora, se for uma solução militar, sem o aval das Nações Unidas, isso tem, além das outras conseqüências, um efeito ruim para as instituições internacionais e para o multilateralismo", disse o ministro, Mas ele evitou comentar a possibilidade de guerra - "seria raciocinar sob hipótese negativa" - e lembrou que o Brasil trabalha por uma solução pacífica.O porta-voz do Planalto, André Singer, relatou ontem novos contatos que o presidente Lula vem mantendo com os líderes mundiais. Na terça-feira, Lula telefonou para o presidente francês, Jacques Chirac, com quem já havia conversado recentemente, e que é firmemente contrário a uma intervenção armada no Iraque. Lula também conversou nos últimos dias com o chanceler alemão, Gerard Schroeder, com o primeiro ministro inglês, Tony Blair, e com o presidente do Chile, Ricardo Lagos.A carta enviada a Koffi Anann, de acordo com o porta-voz, relata as conversas que Lula vem mantendo com líderes mundiais. "Todos têm se mostrado de acordo com a necessidade de promover o desarmamento do Iraque sob a autoridade do conselho de segurança da ONU", declarou o porta-voz, acrescentando que alguns desses líderes "falam da necessidade de uma mudança de regime, enquanto outros, como o Brasil, que estão preocupados com as conseqüências políticas, econômicas e humanitárias de uma guerra, preferem insistir na continuidade das inspeções".Ainda na busca dessa saída política, segundo Singer, o presidente conversou na manhã de ontem com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Agola ocupa neste momento uma das vagas de membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU. No telefonema, Lula reiterou ao presidente angolano a posição brasileira de que a solução para conflito deverá ser encontrada sob a chancela das Nações Unidas.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula - Os primeiros 100 dias

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