Lula reitera defesa de diálogo com Irã

Lula reitera defesa de diálogo com Irã

Presidente afirma que não permitirá que ocorra com Teerã o mesmo que ocorreu no Iraque

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

Em um discurso fervoroso para justificar seus planos de intermediar as negociações no Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não deixará que ocorra no Irã o mesmo que ocorreu no Iraque.

O presidente reclamou de ser tratado como se fosse "metido" e cobrou duramente a ONU e chefes de Estado do mundo desenvolvido por um empenho para pôr fim ao conflito na região.

Ao discursar em cerimônia pelo dia da comunidade árabe, no Clube Monte Líbano, Lula voltou a justificar seu empenho em intensificar o diálogo com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. "Não quero que se repita no Irã o erro que se cometeu no Iraque. Aquela guerra aconteceu por conta de grandes mentiras que se contou à humanidade", disse, citando a versão de que o Iraque possuía armas químicas.

"Inventaram a mentira das armas químicas, invadiram o Iraque, derrubaram e mataram o Saddam Hussein ? e eu não tinha nenhum amor por ele. Entretanto, até agora, a humanidade está à espera de que nos mostrem as armas químicas."

Numa crítica direta à ONU, o presidente disse que não haverá paz na região enquanto a organização não assumir sua obrigação de liderar as negociações. "A ONU, instituição multilateral que criou o Estado de Israel, tem a responsabilidade de trabalhar pela paz. Não é uma questão unilateral. É uma questão multilateral."

Arrancando aplausos da plateia em mais de uma ocasião, Lula voltou a mencionar seu giro pelo mundo árabe, iniciado ainda no primeiro mandato. Afirmou que voltou a ser alvo de ataques quando definiu um novo roteiro passando por Israel, territórios palestinos, Jordânia e Irã. "A subserviência foi de tal ordem que um acordo no Oriente Médio depende dos Estados Unidos, não depende da União Europeia."

Apesar da forte defesa das negociações, Lula destacou que não vai endossar o enriquecimento de urânio no Irã para a produção de armas nucleares. No entanto, disse que rejeita se opor ao uso dessa tecnologia para a produção de energia elétrica, por exemplo. E ressaltou que está disposto a conversar com quem é chamado de "Deus" e quem é chamado de "Diabo".

Mais adiante, o presidente reservou algumas alfinetadas a chefes de Estado estrangeiros. "Se nós não colocarmos todas as pessoas envolvidas em torno de uma mesa e começar a discutir que tipo de paz nós queremos, vamos deixar acontecer o que está acontecendo há 50 anos, em que não tem paz. É só para a fotografia. Fulano tira fotografia com sicrano, ganha Prêmio Nobel da Paz com beltrano e cada dia tem um probleminha a mais", disse. "Onde está esse grande aprendizado que esses homens que dirigem o mundo tiveram na universidade? Será que as pessoas não percebem que o ser humano não foi feito para involuir, mas sim evoluir?"

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