Lula rejeita intervir por iraniana

Líder descarta hipótese de ligar para Ahmadinejad para evitar apedrejamento de acusada de adultério

, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Em defesa da soberania judicial iraniana - que admite a morte por apedrejamento de mulheres adúlteras - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não apoiará a campanha pela libertação da iraniana Sakineh Ashtiani. Questionado sobre campanha "Liga, Lula", que pede ao presidente brasileiro que entre em contato com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad para evitar o apedrejamento da mulher acusada de infidelidade, Lula disse que haverá "avacalhação", caso sejam atendidas solicitações desse tipo a cada indignação internacional.

"É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis e regras. Se começarem a desobedecer às leis deles para atender aos pedidos dos presidentes, daqui a pouco há uma avacalhação."

"Um presidente da república não pode ficar na internet atendendo a todo pedido que alguém pede de outro país." Mas Lula ressaltou que acha que nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de traição.

Em março, Lula pediu respeito às decisões do governo de Cuba e condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para sua libertação, comparando-os a criminosos comuns. "Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade", afirmou na ocasião. Segundo Lula, o governo brasileiro engajou-se na libertação da professora francesa Clotilde Reiss, detida no Irã, porque houve um pedido do presidente Nicolas Sarkozy.

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