Lula se diz 'positivamente surpreso' com Cúpula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que ficou "positivamente surpreso" com os resultados da 5ª Cúpula das Américas. Segundo ele, o encontro pode marcar o início de uma nova relação entre os países da região e os Estados Unidos. "Eu acho que é perfeitamente possível haver uma evolução na relação entre os Estados Unidos e o continente latino americano", avaliou Lula. "Uma nova dinâmica pode ser criada."

AE, Agencia Estado

19 de abril de 2009 | 16h54

Lula usou como exemplo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tem histórico de uma difícil relação com o governo norte-americano. "Se (Chávez) teve um problema sério na era Bush, isso pode ser mudado na era Obama", apostou. O presidente brasileiro elogiou o engajamento de seu colega norte-americano, recém eleito, dizendo que Barack Obama teve um "curso de imersão" em temas latino-americanos durante o fim de semana.

Muitos esperavam que o encontro se tornasse um "campo de batalha" entre várias facções. Porém, Lula disse que, pelo contrário, os líderes tiveram discussões maduras sobre o que pode ser geralmente considerado como temas que geram discórdia.

Vários líderes demonstraram reservas quanto à declaração final do encontro, ocorrido entre sexta-feira e hoje. Parte da controvérsia ocorreu por causa de Cuba, único país da região ausente no encontro. Lula disse que não podia imaginar que Havana não estivesse representada na próxima Cúpula das Américas, em três anos.

Segundo Lula, o País participa desse tipo de encontro "para fortalecer o papel do Brasil e para fortalecer o multilateralismo". "Quanto mais as pessoas acreditarem no multilateralismo, tudo será muito mais fácil". Lula disse ter pedido a Obama que leve em conta os países menores da região, bastante dependentes da economia norte-americana. Uma conferência da ONU em junho e um encontro regional de ministros das Finanças discutiriam esses assuntos, segundo ele.

O líder brasileiro também disse que os países latino-americanos precisam colocar a casa em ordem, e não simplesmente culpar os EUA. "Muitas vezes nós culpamos outros, sem olhar as perversidades de nossa elite política, o que fazemos para nós mesmos", analisou. "Nós temos que respeitar a nós próprios e exigir que os países maiores nos respeitem". As informações são da Dow Jones.

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