Lula sugere que Obama envie Hillary à América do Sul

Em seu primeiro encontro com os líderes da União de Nações Sul-americanas (Unasul), hoje, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi desafiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a enviar a secretária de Estado, Hillary Clinton, a visitas aos países latino-americanos com os quais Washington tem acumulado "mal-entendidos". A proposta foi apresentada em uma reunião de pouco mais de uma hora de duração, que se deu em paralelo à 5ª Cúpula das Américas e que selou o compromisso de Obama de dar uma guinada na política adotada pela Casa Branca para a região.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

18 de abril de 2009 | 20h58

Presente a esse encontro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, relatou que Obama ponderou que sua intenção enfrenta resistências da clientela política interna e vícios da máquina burocrática americana. Os próprios líderes sul-americanos afirmaram reconhecer que essa transformação, levada adiante por um governo com pouco mais de 100 dias de mandato, demandará tempo. "Obama teve uma atitude franca e amistosa na reunião e o cuidado de colocar sua expectativa de mudar as relações dos EUA com a Unasul para um outro plano, o da cooperação", relatou Amorim. "Houve realmente um diálogo, e não uma sucessão de monólogos. Mas não me pareceu que o presidente Obama tenha ficado constrangido por ouvir todas as nossas ponderações."

Do ponto de vista do Brasil, a presença de Hillary Clinton ou de outra autoridade americana nos países que mantêm relações mais tensas com Washington consolidaria a mudança real da tradicional imposição de propostas da Casa Branca na região para uma atitude de cooperação. Mas, ao relatar o encontro, Amorim esquivou-se de mencionar quais países Lula sugeriu que fossem visitados. "O presidente Obama é muito inteligente e bem assessorado para saber quais os quais com os quais há mal-entendidos", arrematou o chanceler â imprensa.

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