Claudio Cruz/AFP
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Lula telefona para Evo Morales por 'solidariedade e preocupação humanista'

Ex-presidente brasileiro teria comparado situação na Bolívia com a instabilidade política na Venezuela e afirmou não entender o motivo da renúncia de Evo ou das manifestações no país

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 18h18

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na tarde de terça-feira, 26, para o ex-presidente da Bolívia Evo Morales. Segundo o Instituto Lula, “foi uma ligação de solidariedade e preocupação humanista com ele (Evo) e com o povo boliviano”.

O ex-mandatário boliviano está exilado no México desde o dia 12, depois de renunciar ao cargo sob denúncias de fraude eleitoral e pressão de manifestações populares e dos militares.

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O Instituto Lula não deu mais detalhes sobre a conversa, mas segundo colaboradores próximos de Lula, o ex-presidente tem dito que não entendeu os motivos que levaram Evo a renunciar e teria comparado o caso da Bolívia com o da Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro sofre pressões internas e internacionais há anos para sair do poder, mas continua resistindo no cargo.

Nesta quarta, em entrevista ao site Brasil 247, Lula disse também que não entende os motivos que levaram às manifestações populares contra Evo, já que a Bolívia vivia um raro período de crescimento econômico e estabilidade política.

As manifestações contra o ex-presidente da Bolívia se intensificaram depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou suspeitas de fraude na apuração da eleição presidencial do dia 9.

A transmissão da apuração chegou a ser interrompida sem motivo formal, quando os números apontavam para a possibilidade de um segundo turno, e retomada 24 horas depois com uma ampliação da vantagem de Morales sobre o principal adversário, Carlos Mesa.

Desde a renúncia, no dia 10, mais de 20 pessoas morreram em confrontos entre adversários ou com a polícia.

Na entrevista ao Brasil 247, Lula disse que não pretende ir à posse do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que terá como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, aliada de Lula quando ambos governavam seus respectivos países. “Um ex não tem o que fazer lá”, avaliou Lula.

O ex-presidente disse também que pretende tirar um novo passaporte, já que o seu foi furtado junto com uma pasta de documentos que estava no carro de um de seus filhos no dia em que foi preso, 7 de abril do ano passado. “Não quero mais passaporte diplomático. Quero um passaporte verde igual ao de todo mundo”, afirmou ele.

Lula revelou que pretende ir a Paris para receber pessoalmente o título de cidadão parisiense conferido pela prefeitura local e, se possível, fazer uma visita ao Papa Francisco. “E se até lá eu estiver casado queria aproveitar para passar uma lua-de-mel com a Janja”, disse Lula, que está noivo da socióloga Rosângela da Silva.

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