Lula tenta baixar expectativas sobre visita ao Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem à tarde, no Catar, críticas indiretas à forma como os EUA negociaram até agora uma solução para o impasse em torno do programa nuclear do Irã e disse que há uma "expectativa exagerada" em muitos países sobre seu encontro com o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

16 Maio 2010 | 08h17

Lula visitou Doha antes de tomar o voo para Teerã. Questionado sobre a declaração da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que afirmara não esperar uma resposta séria de Ahmadinejad após o diálogo com o Brasil, Lula criticou o envio de "funcionários de terceiro escalão" para discussões diplomáticas tratadas pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU.

"A política existe para você exercitá-la na sua plenitude, para tentar conversar, convencer os outros. Política não é uma coisa de que se pode fazer transferência, terceirizando ou mandando um funcionário de terceiro escalão do governo para negociar uma coisa grave que o CS está decidindo", disse Lula.

O presidente disse ainda que não sabe se o encontro com Ahmadinejad é de fato a última chance de o Irã evitar novas sanções econômicas, como afirmaram Hillary e o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev. "Não queria ser tão fatalista", disse.

"Vou conversar com muita franqueza com o presidente iraniano, lamentando que os outros presidentes não tenham feito o mesmo", argumentou, em uma crítica ao grupo formado por EUA, França e Grã-Bretanha, membros do CS, que apoiam novas sanções ao Irã.

As críticas foram feitas depois do almoço de Lula com o emir do Catar, Hamad Bin Khalifa Al Thani. No encontro, o emir teria advertido o brasileiro que o governo de Ahmadinejad pode descumprir qualquer acordo que venha a ser fechado hoje. "Lula comentou que o governo iraniano é acusado de não ser confiável e o emir disse que ele não é mesmo", relatou uma autoridade.

Em entrevista à rede de TV Al-Jazeera, Lula foi questionado sobre a possibilidade de um fracasso no Irã: "Não estou de acordo (com as sanções), por isso estou negociando. Se o Irã não aceita as decisões da ONU terá de aceitar as consequências. O Brasil é membro da ONU e apoiará qualquer coisa que (a organização) decida", respondeu.

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