Lula tenta reduzir tensão entre Chávez e Uribe

Apesar das ameaças, governo brasileiro não acredita que países vizinhos entrem em guerra

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Preocupado com as tensas relações entre Colômbia e Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na semana passada com seu colega venezuelano, Hugo Chávez, e com o colombiano, Álvaro Uribe. Mesmo não querendo ser apontado como "mediador formal", Lula, discretamente, vem conversando com os dois lados.Mais que isso, orientou o Itamaraty a fazer o mesmo. O Brasil considera que o tom da disputa entre os dois tem subido além do necessário nos últimos dias. A última coisa que Lula e sua equipe querem ver é um conflito na região e, muito menos, entre dois vizinhos. "Seria péssimo para a região. Todos saem perdendo", comentou um interlocutor do presidente. No entanto, ele observou que, apesar das ameaças trocadas e agora ampliadas por Chávez, o governo brasileiro não acredita em um conflito entre os dois países. Anteontem, em pronunciamento em rede de rádio e TV, Chávez disse ter informações sobre a possibilidade de a Colômbia agredir a Venezuela e que está "pronto para fazer os primeiros disparos com os mísseis dos Sukhois" (aviões russos recentemente adquiridos por ele), caso as ameaças se concretizem.O assessor especial do presidente, Marco Aurélio Garcia, que foi à França acompanhando o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em busca de parcerias estratégicas com países europeus, confirmou que Lula tem dialogado com os dois presidentes. "Estamos conversando com as duas partes da forma mais discreta possível", disse Marco Aurélio ao Estado, antes de embarcar de volta ao Brasil. "Há tensões, mas não acredito que se chegue a um conflito", prosseguiu. Marco Aurélio participou das negociações entre Colômbia e Venezuela, no final do ano, para tentar obter a libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A grande preocupação de interlocutores do presidente Lula é que, no calor das declarações de Chávez e Uribe, ocorra um impasse diplomático e alguém, principalmente Chávez, tenha um rompante e tome uma atitude extrema. Por outro lado, nenhum dos dois países tem intenção de fazer uma guerra, pois há muitos interesses comerciais envolvidos . Embora sempre ataque os EUA, os americanos continuam sendo um grande parceiro comercial da Venezuela. Da mesma forma, apesar do tom belicoso, Chávez importa todo tipo de produto da Colômbia, principalmente gêneros de primeira necessidade. Chávez sabe que não pode suspender as importações de produtos colombianos, pois haveria um desabastecimento no seu país, o que não seria bom para sua imagem. Sua popularidade já foi abalada justamente por falta de produtos de primeira necessidade. Para tentar reduzir esta dependência, a Venezuela já fez novos contratos comerciais com o Brasil para substituir muitos gêneros colombianos por brasileiros.

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