Luta por votos deixa Chávez mais jovem

Aos 58 anos, líder venezuelano que diz ter se livrado de câncer remoça em campanha por novos eleitores

O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h07

Para ganhar votos, convém perder vários anos e alguns quilos. Essa estratégia do rejuvenescimento está estampada em uma campanha cujo objetivo é atrair o apoio de eleitores jovens para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de 58 anos.

O líder bolivariano enfrentará Henrique Capriles no dia 7 de outubro e a oposição aposta suas fichas na incapacidade de Chávez de seguir o ritmo do rival - que chega a discursar em três cidades em um dia de campanha. O presidente, que afirma ter vencido após tratamento em Cuba um câncer pélvico revelado em junho de 2011, tem adotado uma rotina ativa, discursando comícios sob chuva, do alto de caminhões. Ele já percorreu as seis maiores cidades do país.

Enquanto Capriles visita redutos onde o presidente é mais forte, como os bairros pobres beneficiados por programas assistenciais, Chávez tenta se aproximar da classe média, que tende a votar em Capriles. As pesquisas de intenção de voto no país não costumam convergir. Levantamento do instituto Varianza apontou quatro dias atrás empate técnico entre os dois (Chávez teria 49,3% das intenções e voto e Capriles, 47,2%). Outra sondagem, do grupo Hinterlaces, deu há cinco dias 18 pontos de vantagem ao presidente.

Na série de anúncios lançada há cerca de um mês, um Chávez triunfante tem energia suficiente para fazer malabarismos em moto, praticar boxe e partir para uma enterrada no basquete. Algumas das ilustrações, que começaram a ganhar forma nos muros do Distrito de Miranda, mostram o presidente com brincos, tatuagens e boné com a aba para o lado, dançando hip hop.

"A ideia é aproximar os jovens da imagem do presidente", diz um dos integrantes do grupo que criou as peças sob o slogan "Chávez es otro beta". A expressão "beta", segundo o grupo, é uma gíria que define tudo o que é negativo. "Beta é a violência, a exclusão, a discriminação, o racismo", afirma o membro do grupo, que prefere não se identificar.

O termo "outro beta" que aparece no slogan, associado a Chávez, seria o contraponto a tudo isso: a inclusão, o trabalho e a aceitação de jovens da periferia, com seus hábitos e códigos.

"A intenção ao retratar essas atividades é mostrar como os integrantes da comunidade estão identificados com o comandante", afirma o morador de Miranda.

Embora seja apresentada como uma iniciativa independente de partidários da reeleição, Chávez parece ter gostado da ideia. Em um comício recente no Petare, o maior bairro popular de Caracas, governado pela oposição, o presidente disse aos eleitores: "Chávez já não sou eu, Chávez somos todos, Chávez é 'outro beta', Chávez é Petare, Chávez já não sou eu, eu sou o povo". / EFE e AP

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