Lutadores tribais se aproximam de Kandahar

Combatentes tribais entraram em choque com forças do Taleban nesta sexta-feira, nas proximidades do aeroporto de Kandahar, enquanto se aproximavam do último reduto do Afeganistão. Aviões de guerra norte-americanos atacaram as defesas do Taleban nos arredores do aeroporto. O general Peter Pace, vice-comandante do Estado-Maior-Conjunto das Forças Armadas dos EUA, disse em Washington que a situação em torno da cidade sulista de Kandahar estava "em andamento", com aviões norte-americanos dando cobertura aérea aos combatentes anti-Taleban mesmo com as atuais negociações para a rendição dos talebans. "Nós temos certeza de que esta luta prosseguirá até Kandahar transformar-se de fato numa cidade livre", disse Pace. Kandahar é a última cidade sob controle da milícia linha-dura, que, até pouco tempo atrás, controlava mais de 90% do território afegão. A maior parte dos combates desta sexta-feira parecia ter como alvo o aeroporto, no sudeste da cidade. O líder tribal Abdul Jabbar disse que lutadores tribais anti-Taleban capturaram cerca de 80 membros da milícia nos arredores do aeroporto depois de cercá-los. Também foram tomados cinco tanques, quatro caminhonetes, uma arma antiaérea e um lançador de foguetes, disse Jabbar, no Paquistão. Jabbar, um pashtu, fornece apoio logístico aos combatentes e entra em contato freqüentemente com comandantes tribais na frente de combate. Motoristas de táxi e ônibus que saíram de Kandahar para Cabul informaram que houve confrontos, nesta quinta, numa área de três quilômetros entre o aeroporto e a cidade. "Aquela área virou terra de ninguém", comentou Pacha, um motorista de táxi. Pace disse não saber ao certo quantos membros do Taleban ainda estavam em Kandahar. "Ainda não houve uma grande ofensiva terrestre", declarou. "Sabemos que estão ocorrendo negociações entre forças oposicionistas e líderes do Taleban para que haja rendição." O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, rejeitou a concessão de anistia ao mulá Mohammed Omar, líder supremo do Taleban, em um acordo de rendição. "Eu garanto a vocês que os EUA são irredutivelmente opostos a qualquer tipo de anistia ou passagem livre para ele", declarou o secretário. O mulá Omar ordenou a seus seguidores que lutem até a morte para defender a cidade. "A luta começou agora", disse ele em mensagem aos comandantes. "É a melhor oportunidade para alcançar o martírio." Moradores disseram ter visto combatentes do Taleban fazendo escavações em torno de Kandahar nos últimos dias. O Taleban proibiu a presença de jornalistas estrangeiros em Kandahar, 450 quilômetros a sudoeste de Cabul, e as informações de confrontos não puderam ser checadas de forma independente. O vice-ministro de Defesa da Aliança do Norte, Bismillah Khan, havia dito na quinta-feira que as forças anti-Taleban haviam chegado à periferia leste de Kandahar e que "duros combates" estavam ocorrendo. Em Cabul, Khan disse que sua informação estava baseada em contatos via rádio com outros comandantes. O porta-voz de Khan, Waisuddin Salik, disse que ocorreram confrontos nos arredores da cidade nesta sexta-feira, apesar de não identificar o local. O contra-almirante John Stufflebeem, porta-voz do Pentágono, disse que Kandahar estava "relativamente cercada pelos grupos de oposição". De acordo com ele, as forças talebans estão divididas no momento, com uma parte fugindo ou entregando as armas, e outra cavando trincheiras para resistir. Mais de mil fuzileiros navais dos Estados Unidos estabeleceram uma base 110 quilômetros a oeste de Kandahar. Mas o Pentágono garantiu que eles não participarão dos combates na cidade. No vizinho Uzbequistão, oficiais norte-americanos disseram que um de seus soldados morreu baleado. Eles disseram que a morte não foi resultado de uma ação inimiga, mas não divulgaram nenhum novo detalhe. Leia o especial

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