'Lutaremos pelo status palestino de locais históricos na Unesco'

AP quer que Jerusalém e outros 20 sítios históricos sejam declarados pela ONU como Patrimônio da Humanidade, diz assessor

Entrevista com

VIVIANE VAZ , ESPECIAL PARA O ESTADO , JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2011 | 03h01

Um dos principais assessores do presidente palestino, Mahmoud Abbas, Sabri Saidam ressaltou ontem em entrevista ao Estado a importância histórica da adesão palestina à Unesco no contexto da luta pela criação de um Estado independente. Segundo ele, a Autoridade Palestina (AP) reivindicará na Unesco Jerusalém Oriental e pelo menos 20 locais do patrimônio histórico que não foram registrados como lugares palestinos. O assessor garante, no entanto, que as três grandes religiões monoteístas (judaísmo, islamismo e cristianismo) terão acesso aos sítios históricos que ficam na Cisjordânia, como a Tumba dos Patriarcas e o Túmulo de Raquel, locais sagrados para judeus e muçulmanos. A seguir, trechos da entrevista:

Vocês ficaram desapontados com o anúncio feito pelos Estados Unidos e pelo Canadá de que suspenderão o financiamento à Unesco?

É realmente uma pena que o direito à autodeterminação dos povos esteja sujeito a financiamentos e a acusações e ameaças. Acho que é hora de os nossos amigos na comunidade internacional se concentrarem nas contas e substituírem o apoio americano e canadense. O voto de confiança que a Palestina recebeu ontem (segunda-feira) é o voto de falta de confiança em Israel e o voto para o fim da ocupação.

E agora que vocês foram aceitos na Unesco, pretendem apresentar uma lista dos locais a ser declarados Patrimônios da Humanidade palestinos?

Bom, parte do trabalho que Israel fez é, no fim das contas, o de firmar a identidade palestina. É por isso que eu disse que vencemos a batalha da História: a identidade palestina será preservada. O que nós prevemos é um tipo de batalha na Unesco por Jerusalém e por cerca de 20 locais históricos que não foram registrados como lugares palestinos na Unesco. Também esperamos nos beneficiar das iniciativas realizadas pela Unesco, das quais estivemos privados.

Sabe-se que entre os locais que podem ocasionar disputas com Israel estão a Tumba dos Patriarcas (em Hebron) e o Túmulo de Raquel (em Belém), considerados sagrados para os judeus religiosos. Vocês possuem algum tipo de estratégia para resolver essa questão?

O que nós gostaríamos de ver, por exemplo, é um local de visitação aberto para todas as religiões e não especificamente para uma religião. O Túmulo de Raquel também é parte da herança muçulmana e Israel anexou essa parte e impediu a população cristã e muçulmana de Belém de visitá-lo. Então, o que nós queremos pedir na Unesco é a preservação dos locais palestinos e sua abertura a todas as religiões.

E como vocês pretendem lidar com o tema do Mar Morto?

O Mar Morto é uma grande questão, pois é considerado território em disputa. Nós temos acesso a 40 km de margem sobre toda a sua longitude - e não temos pleno acesso. É também uma questão de patrimônio histórico que aparece em diferentes negociações, que nunca foram concluídas, com diferentes modos de aplicação e controle. Agora há uma grande competição para que o Mar Morto seja eleito uma das (novas) sete maravilhas do mundo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.