Luto ultrapassa divisões sociais e raciais no país

JOHANNESBURGO - Em seus cinco anos como presidente da África do Sul, Nelson Mandela não fez um governo excepcional do ponto de vista econômico. Mas para a maior parte dos sul-africanos, seu desempenho pouco importa. Da periferia pobre de Soweto ao bairro de negócios de Sandton, Madiba é elogiado como sinônimo inquestionável de liberdade e justiça.

Andrei Netto e Rafael Moraes Moura, enviados especiais a Johannesburgo,

09 de dezembro de 2013 | 23h40

Um misto de lamento e de profunda admiração é perceptível nas palavras e gestos dos sul-africanos. "Mandela representa a vida para nós. Quando ainda não sabíamos ao certo o quanto o apartheid era ruim, ele estava lá", disse ao Estado Frank Nkutha, aposentado e ex-morador de Soweto. "Mandela nos ofereceu oportunidades iguais."

Elogios desse quilate são frequentes nas ruas de Johannesburgo. "Mandela nos deixou um grande legado: a liberdade. Ele pode descansar em paz, porque sempre será o pai de nossa nação", afirmou Lucas Nkosinathi, trabalhador da indústria do turismo. "Ele nos ensinou a pensar no futuro - e não no passado. Não dividiu o país. Ele nos uniu."

"Mandela poderia ser como qualquer outro líder africano que chega ao poder e fica para sempre. Poderia ter sido um ditador, como tantos na Nigéria ou no Quênia. Mas ele não quis isso e nos ensinou o que é democracia", disse o desempregado George Nyerere. "Hoje, estamos maduros e um dia vamos fazer o caminho contrário: vamos eleger um branco e provar que a cor da pele não interessa."

A admiração de todos também está exposta pela cidade, em faixas artesanais fixadas nas paredes de casas e espalhadas em postes.

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