AFP PHOTO / Alberto PIZZOLI AND Filippo MONTEFORTE
AFP PHOTO / Alberto PIZZOLI AND Filippo MONTEFORTE

M5S e Liga definem bases para acordo na Itália

Os dois partidos foram os vencedores das eleições legislativas de 4 de março e avançaram nas tratativas após a 'bênção' do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 16h58

ROMA - O antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga anunciaram nesta quinta-feira, 10, que definiram as bases para escrever um "contrato" que garanta à Itália um novo governo.       

Os dois partidos foram os vencedores das eleições legislativas de 4 de março e avançaram nas tratativas após a "bênção" do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que autorizou a Liga a conversar com o M5S sem correr o risco de romper a aliança de direita.       

+Partidos italianos 5 Estrelas e Liga preparam coalizão após 9 semanas de impasse

"Com o encontro de hoje, foram definidas as bases para escrever um contrato de governo entre Movimento 5 Estrelas e Liga, contendo os pontos programáticos para realizar pelo país. Foi um encontro muito positivo", diz uma nota conjunta das duas legendas.       

Segundo o comunicado, reuniões técnicas serão realizadas até o domingo, 13, para redigir um programa de governo "definitivo". O objetivo é consolidar a aliança até segunda-feira, 14, prazo dado pelo presidente Sergio Mattarella para a conclusão das tratativas.       

A Itália está sem um governo com plenos poderes desde 24 de março, quando o primeiro-ministro Paolo Gentiloni, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), renunciou, em consequência do resultado das eleições. Ele continua como premiê, mas apenas para tratar de assuntos correntes.       

No entanto, as tratativas para definir seu substituto já duram quase 10 semanas e só ficaram perto de uma conclusão positiva após o "aval" de Berlusconi. O líder conservador, um dos pilares da coalizão de direita, vencedora das eleições, era pressionado a dar uma espécie de "bênção" para a Liga se aliar ao M5S e formar um governo populista.       

Durante os últimos dois meses, Berlusconi insistira na unidade da aliança conservadora, frente à postura intransigente do movimento antissistema, que se recusava a incluir seu partido, o moderado Força Itália (FI), nas negociações. Por sua vez, a Liga, cortejada pelo M5S, não quis romper a coalizão de direita unilateralmente, uma vez que governa três regiões do norte, Lombardia, Vêneto e Friuli-Veneza Giulia, com apoio do FI.       

Programa. A nota conjunta entre M5S e Liga diz que os dois partidos encontraram "diversos pontos de convergência programática". A lista inclui a abolição da reforma previdenciária italiana, a "desburocratização" do país, a redução dos custos da política e o combate à imigração clandestina.       

Além disso, M5S e Liga aceitaram incluir no programa dois pontos cruciais para ambos os partidos: a introdução de uma alíquota única no imposto de renda, bandeira da legenda ultranacionalista; e a "renda de cidadania", projeto da sigla antissistema que prevê o pagamento de um valor para garantir que cidadãos na linha da pobreza tenham ao menos € 780 por mês no bolso.       

Durante a campanha, o M5S havia mostrado dúvidas quanto à alíquota única do imposto de renda, enquanto a Liga criticara a "renda de cidadania" por não prever uma "porta de saída" para beneficiários. No pré-programa definido pelos partidos, o governo potencializará centros de emprego.       

"A flat tax (alíquota única) e a renda de cidadania são pontos de partida importantes", afirmou o deputado do M5S Alfonso Bonafede, ao fim de uma rodada de negociações com a Liga. Não há, no entanto, indícios de quem os dois partidos indicarão para primeiro-ministro.       

A probabilidade maior no momento, segundo Vincenzo Spadafora, porta-voz de Luigi Di Maio, líder do M5S, é de um "terceiro" - ou seja, nem Di Maio, nem o secretário da Liga, Matteo Salvini.   

Os dois partidos também não mencionaram qual será sua futura posição em relação à União Europeia. Embora sejam tradicionalmente eurocéticos, ambos abrandaram suas opiniões nas últimas eleições e agora preferem "reformar" a UE para fortalecer o papel de Roma em Bruxelas. / Ansa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.