Macedônia acusa Otan de ajudar albaneses

Em seguida aos piores conflitos em meses na Macedônia, o porta-voz do governo, Antonio Milososki, acusou nesta terça-feira a Otan de tomar partido dos rebeldes de etnia albanesa na disputa sobre direitos de minoria e território. Segundo Milososki, "a Otan é uma grande amiga de nossos inimigos". De acordo com o porta-voz da missão da ONU em Kosovo, Andrea Angeli, autoridades macedônias fecharam a fronteira com a província iugoslava para "diminuir as tensões". Pouco antes das 20h (horário local), alojamentos do exército em Tetovo, a segunda maior cidade da Macedônia, foram atacados por insurgentes e, segundo um comandante rebelde, a polícia estava distribuindo armas à população nos mais importantes postos policiais. Segundo o comandante, um outro posto policial nos arredores de Drenovex fora abandonado pela polícia macedônia e ocupado pelos rebeldes. No campo político, Milososki expressou seu "grande descontentamento" com a atitude da Otan e de outras organizações internacionais na crise macedônia. Acusando-os pelo fracasso em responder à "limpeza" realizada pelos rebeldes ao redor de Tetovo, Milososki afirmou: "Todo o nosso temor de que os representantes internacionais estejam agindo de acordo com o Exército de Libertação de Kosovo (ELK) comprovou-se verdadeiro". No início do dia, o Ministério da Defesa havia admitido que os rebeldes estavam avançando, afirmando que quatro vilas em torno de Tetovo haviam sido cercadas por "forças terroristas". Mais tarde, a televisão macedônia informou sobre a ocorrência de novos disparos em Tetovo. Antes da acusação de Milososki, o secretário-geral da Otan, lorde Robertson, conclamou os rebeldes para que retornassem às suas posições anteriores ao cessar-fogo. Ele negou também acusações de que tropas da aliança atlântica em Kosovo estivessem fornecendo armas aos rebeldes, afirmando que "a Otan não forneceu e não fornecerá material ou apoio moral a tais grupos". Durante uma rápida visita ao acampamento Bondsteel, a base militar norte-americana na vizinha Kosovo, o presidente George W. Bush emitiu um comunicado no qual apóia os esforços dos diplomatas ocidentais para estabelecer um tratado de paz e conclama rebeldes e governo macedônio a respeitarem o cessar-fogo. O enviado especial dos EUA à região, James Pardew, e seu colega europeu, François Leotard, estão trabalhando pela retomada das conversações de paz que fracassaram na semana passada, depois que a maioria macedônia se recusou a aceitar um acordo que transformaria o albanês em uma língua oficial do país. Em um comunicado conjunto, Leotard e Pardew afirmaram que eles estão "chocados com as alegações de que estaríamos apoiando os rebeldes do ELK ou que tenhamos qualquer responsabilidade nos conflitos de Tetovo". Ao mesmo tempo, Demush Bajrami, um político de etnia albanesa, acusou o governo macedônio de obstruir a paz. Segundo ele, "enquanto os macedônios rejeitarem o (desenho de) plano de paz, será difícil encontrar uma saída, e será difícil continuar o diálogo". Em um comunicado, o Ministério da Defesa informou que, na noite de segunda para terça-feira, os rebeldes montaram barricadas na rodovia que liga Tetovo a Gostivar e passaram a controlar o tráfego, abrindo fogo contra veículos cujos motoristas se recusavam a parar. O documento informa também que um policial morreu nesta terça devido a ferimentos sofridos nesta segunda durante conflitos na vila de Lesok. Em mais um sinal do aumento da tensão na Macedônia, o primeiro-ministro Ljubco Georgievski escreveu ao presidente Boris Trajkovski, solicitando medidas mais duras contra os insurgentes. "É sua obrigação ordenar aos militares e à polícia que protejam as pessoas contra os terroristas".

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