Macedônia amplia ataque a albaneses

Com o apoio de tanques e de helicópteros de combate, forças do governo da Macedônia intensificaram nesta sexta-feira uma grande ofensiva contra rebeldes albaneses étnicos. Houve informações não confirmadas de baixas entre civis. Oficiais militares, promovendo sua maior ofensiva contra os insurgentes desde que os combates arrefeceram no final de março, acusaram os rebeldes de estarem usando 3.500 pessoas - a maioria mulheres e crianças - como "escudos humanos" nas cidades nortistas de Vaksince e Slupcane. "Vamos usar todos os meios disponíveis para eliminar os terroristas", inclusive artilharia pesada e helicópteros de combate, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Gjorgji Trendafilov.Ele afirmou que o exército infligiu "sérios danos" aos rebeldes desde que a ofensiva teve início nesta quinta-feira. O comandante Sokoli, líder do rebelde Exército de Libertação Nacional, negou que moradores estejam sendo usados como escudos e acusou forças governamentais de "ataques indiscriminados contra os civis". "É vergonhoso o que está ocorrendo com a população civil com a bênção da comunidade internacional", disse Sokoli à Associated Press por telefone de seu esconderijo nas montanhas.Ele afirmou que 2.000 rebeldes estão preparados para lutar "até o fim" para manter as tropas macedônias fora da área. O Exército da Macedônia lançou a ofensiva depois que dois de seus soldados foram mortos e um terceiro capturado numa emboscada rebelde na quinta-feira.No último fim de semana, oito membros de uma unidade de elite do governo foram mortos em outra emboscada, elevando as tensões no país dos Bálcãs onde a minoria albanesa étnica exige maiores direitos. A Otan e a União Européia, temendo novo derramamento de sangue, preparavam-se para enviar altas autoridades para a turbulenta nação dos Bálcãs.O chefe de assuntos de segurança da UE, Javier Solona, pretende chegar no próximo domingo para encontrar-se com líderes macedônios, e o secretário-geral da Otan, George Robertson, uniria-se a ele na segunda-feira. "Esses são atos que podem apenas complicar o frágil equilíbrio na região", disse Mircea Geoana, presidente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. "Peço a todas as partes e a todos os cidadãos do país para demonstrarem contenção e não permitir que cresça a espiral de violência". Grossas colunas de fumaça negra subiam de telhados, campos e florestas nos arredores de Vaksince, cerca de 25 km ao norte da capital, Skopje. Dezenas de pessoas fugiram atravessando a fronteira para a Iugoslávia e era mantido em vigor um toque de recolher do pôr do sol ao amanhecer. O coronel Blagoja Markovski, um porta-voz do Exército, disse que não houve vítimas civis. Mas a mídia em Belgrado e Kosovo divulgou que dois civis foram mortos nos combates em Vaksince e que o prefeito da cidade de Lipkovo disse que pelo menos sete pessoas foram mortas "e muitas outras ficaram feridas" nos confrontos em sua região. "É guerra!" afirmou o prefeito Hysamedin Halili à agência de notícias Kosovalive. "As pessoas estão se escondendo nos porões. Elas estão nas vilas e não querem abandonar suas casas". Sokoli disse que dois rebeldes foram feridos, um gravemente. O Exército macedônio não divulgou qualquer baixa em seu lado. A operação do Exército é "seletiva" e visa postos de comando rebeldes e ninhos de franco-atiradores, afirmou Trendafilov.Autoridades ordenaram a moradores de 11 vilas nas proximidades da cidade nortista de Kumanovo que abandonassem suas casas como precaução, "usando rodovias principais e levando seus documentos", anunciou o governo num comunicado. Mas Trendafilov disse que os habitantes de apenas cinco vilas foram evacuados e que o governo continuava a pedir aos moradores das outras seis vilas para partirem.Segundo o porta-voz Antonio Milososki, o governo está disposto a abrandar qualquer julgamento de rebeldes caso eles concordem em se entregar até a manhã de sábado. Observadores internacionais acusaram soldados do Exército de Libertação de Kosovo de estarem operando dentro da Macedônia e exigiram a imediata retirada deles.A força de paz liderada pela Otan em Kosovo divulgou que uma patrulha russo-americana foi atacada a tiros nesta sexta-feira, e o coronel Dan Nolan disse que existiam "fortes indícios" de que o ataque foi perpetrado por extremistas albaneses étnicos. Ninguém ficou ferido. Num sinal das tensões que tomam conta dessa ex-república iugoslava, onde existem três eslavos para cada albanês étnico, uma granada de mão explodiu na manhã desta sexta-feira num café de proprietário eslavo no centro de Skopje. O café estava fechado no momento e ninguém ficou ferido. Os rebeldes têm proposto um cessar-fogo e conversações com o presidente Boris Trajkovski sobre como evitar uma guerra civil. O governo da Macedônia rechaça resolutamente negociar com os rebeldes, a quem vê como terroristas tentando formar um Estado albanês étnico.

Agencia Estado,

04 de maio de 2001 | 17h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.