AFP / LOUISA GOULIAMAKI
AFP / LOUISA GOULIAMAKI

Macedônia fecha fronteira para imigrantes ilegais, diz autoridade policial

Decisão foi tomada após Eslovênia, Croácia e Sérvia anunciarem novas restrições na entrada de refugiados. Até então, a Macedônia permitia que um pequeno número de sírios e iraquianos passasse pela fronteira

O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 15h34

SKOPJE - A Macedônia fechou completamente sua fronteira para imigrantes ilegais após Eslovênia, Croácia e Sérvia anunciarem novas restrições na entrada de imigrantes, disse nesta quarta-feira, 9, uma autoridade policial.

A Macedônia permitia que um pequeno número de sírios e iraquianos passasse pela fronteira, mas mudou de postura após as políticas duras dos países vizinhos.

"Fechamos completamente a fronteira", disse a autoridade policial, que não quis ser identificada.

O ministro do Interior macedônio, Oliver Spasovski, garantiu que nenhum imigrante cruza na direção seu país desde terça-feira, enquanto a agência de notícias MIA informou que não recebeu ninguém no centro de amparo de Gevgelija nas últimas 50 horas.

"A Macedônia irá agir de acordo com as decisões tomadas por outros países na rota dos Bálcãs", disse um porta-voz do ministério, se referindo às principais rotas tomadas por milhões de imigrantes que chegaram à União Europeia (UE) ao longo de 2015.

A Grécia já tem em seu território 36 mil refugiados retidos pelas restrições de entrada que a Macedônia vem impondo nos últimos meses. O país já havia proibido a passagem de todos os que são considerados imigrantes econômicos, e depois proibiu a entrada de afegãos até determinar que não entrariam sírios e iraquianos que não procedessem de zonas de combate.

Turquia. A guarda costeira da Turquia interceptou também nesta quarta-feira dezenas de imigrantes majoritariamente sírios ao longo da costa do Mar Egeu que continuam a se arriscar em travessias marítimas perigosas rumo à Grécia.

Um grupo de 42 pessoas, composto por mais de uma dúzia de crianças, se abrigava em um complexo da Guarda Costeira, algumas debaixo de cobertores, na estância balneária de Didim depois de serem detidas. Outras dezenas esperavam na praia, vigiadas por policiais armados, enquanto um ônibus chegava para levá-las embora.

"Estamos com medo de ficar aqui e com medo de ficar na Síria... Estamos fugindo para o país que nos receber. Queremos segurança, alguém que cuide de nós", disse Sameeha Abdullah, uma das pessoas do grupo que escapou da guerra civil síria.

No mar, a poucos metros da praia, um barco da guarda costeira abordou o que parecia ser uma pequena embarcação levando mais imigrantes. Autoridades temem uma debandada em direção às ilhas gregas próximas, apesar do aumento do patrulhamento marítimo apoiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Mar Egeu, antes da entrada em vigor do duvidoso acordo com a UE.

Conforme o rascunho do pacto firmado na segunda-feira, a Turquia concordou em receber de volta todos os imigrantes irregulares em troca de mais dinheiro e maior rapidez nas conversas sobre sua filiação à UE, que se arrasta há tempos, e na dispensa de vistos de viagens para seus cidadãos.

O objetivo, disseram o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, e líderes do bloco, é desestimular imigrantes ilegais e acabar com o negócio dos traficantes de pessoas, que vem alimentando a maior crise migratória da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A mensagem, afirmam eles, é simples: tente cruzar ilegalmente e será mandado de volta na hora. /REUTERS e EFE

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