Macedônia reforça ataque contra rebeldes albaneses

As forças governamentais atacaram hoje as colinas ocupadas por rebeldes de ascendência albanesa, que tentam atrair outros membros de sua etnia para sua luta por maiores direitos na Macedônia. Ainda na madrugada de hoje, cerca de 100 albaneses étnicos - temendo que os confrontos em torno de Tetovo, a segunda cidade da Macedônia, se alastrem pelo país - cruzaram a fronteira albanesa próxima à localidade de Qafe Thane. Nos arredores de Tetovo, a artilharia operou durante toda a noite e a madrugada de hoje contra os bosques nas montanhas onde os rebeldes se escondem e respondem ao ataque alvejando Tetovo. No meio da manhã, os militares macedônios começaram a lançar morteiros de alto calibre na tentativa de atingir os bastiões rebeldes. Apesar dos pesados ataques das forças governamentais, há evidentes sinais de que os insurgentes já conseguiram atrair para sua causa novos membros de etnia albanesa; alguns analistas acreditam que, apesar de as relações étnicas terem sido relativamente tranqüilas na Macedônia, os albaneses étnicos, que constituem minoria no país (cerca de 1/4 da população), sentem-se tratados como cidadãos de segunda classe. Para alguns líderes dos albaneses étnicos no país, inclusive, a violência parece ser a única forma de enfrentar um sistema por eles percebido como discriminatório. "Aceitaríamos a mediação internacional, mas temo que o tempo (para isto) se esteja esgotando", disse Fadil Sulejmani, reitor da Universidade de Tetovo, outrora ilegal e considerada como um centro de resistência contra o governo macedônio. Em sua opinião, "isto (o atual confronto entre rebeldes e governo) está se convertendo em uma espécie de guerra santa". Preocupado com a situação nos Bálcãs, o chanceler russo Igor Ivanov viajou hoje para a Iugoslávia. Antes de deixar Moscou, Ivanov, em entrevista ao jornal iugoslavo Politika, disse que a escalada nos Bálcas só pode ser interrompida "se forem colocadas barreiras apropriadas contra o extremismo e o terrorismo através de um controle mais rígido das fronteiras". Ivanov acusou os albaneses étnicos de Kosovo, a província sérvia administrada por forças da OTAN e das Nações Unidas, de serem os responsáveis pela instabilidade que ultrapassou as fronteiras ao leste e ao sul de Kosovo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.