Rodrigo Carvalho/Estadão
Rodrigo Carvalho/Estadão

Maconha legal no Uruguai será vendida em pacotes de 10g 

Os pacotes de cannabis recreativa não estarão à vista do público nas farmárcias que o comercializarão e elas poderão armazenar uma quantidade de maconha determinada por semana, que ainda não foi estipulada

O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2016 | 16h43

MONTEVIDÉU - A maconha legal no Uruguai será vendida "em pacotes normais" de 10 gramas sem publicidade e com uma série de indicações nas quais constarão informações sobre a composição e os efeitos, disse nesta segunda-feira, 4, à agência EFE o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Milton Romani.

Os pacotes de cannabis recreativa não estarão à vista do público nas farmárcias que o comercializarão e elas poderão armazenar uma quantidade de maconha determinada por semana, que ainda não foi estipulada, acrescentou Romani.

O fato do estoque ser cotado semanalmente ocorre porque o usuário também tem um limite de compra semanal de 10 gramas (40 por mês).

Apesar de ainda não ter sido fixado o preço, está previsto que a grama seja comercializada a US$ 1,2 e os estabelecimentos a adquiram por US$ 0,9.

A Junta Nacional de Drogas (JND) não nega que além das farmácias a maconha será vendida em outros tipos de estabelecimentos, embora a preferência seja por farmárcias que visem a "promoção à saúde".

O Estado uruguaio habilitou duas empresas, Iccorp e Simbiosys, para a produção de maconha recreativa. A porcentagem de distribuição que corresponderá a cada firma no mercado local serão "reguladas entre elas", disse Romani.

Por outro lado, o secretário-geral da JND assegurou que até o momento não foi licitada nenhuma companhia para a produção de maconha medicinal, embora lembrou que há interesse de uma empresa israelense em produzir esse tipo de cannabis no Uruguai, pela facilidade legal, para depois exportar o produto.

Romani acrescentou que o tema da maconha medicinal está em processo de estudo por parte do Ministério da Saúde que avalia o tipo de composição de cada espécie de cannabis em função dos casos nos quais seria empregada e também da demanda.

Cabe destacar que poderão comprar maconha recreativa de forma legal no Uruguai aquelas pessoas que previamente tenham se registrado no sistema.

As farmácias terão um dispositivo que reconhecerá as impressões digitais dos cidadãos inscritos e indicará a quantidade de maconha que podem adquirir.

Esse registro ainda não está em funcionamento, afirmou Romani, que disse que esse será um dos últimos passos do processo.

A compra e venda legal de maconha no Uruguai começará sua implementação através de um plano piloto no qual se inscreveram cerca de 50 das quase 1,2 mil farmácias que há no país.

Em 2013, sob a presidência de José Mujica (2010-2015), o Uruguai se transformou no primeiro país do mundo a regular a produção e compra e venda de maconha com uma lei que prevê seu uso recreativo, medicinal e científico. / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
MaconhaUruguai

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.