REUTERS/Jorge Adorno
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Macri acusa governos anteriores da Argentina de permitirem avanço do narcotráfico

Em entrevista conjunta para jornais europeus antes de viajar para o Fórum Econômico Mundial, presidente diz que corrupção 'se instalou na sociedade argentina em seu conjunto'

O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 11h10

MADRI - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, que assumiu o poder em 10 de dezembro, lamentou o que chamou de "grave prejuízo' que os 12 anos de kirchnerismo causaram ao país, e acusou o governo de Cristina Kirchner de permitir "o avanço do narcotráfico".

Em entrevista conjunta aos jornais "Le Monde" (França), "The Guardian" (Grã-Bretanha), "La Stampa" (Itália) e "El País" (Espanha), Macri disse que durante os governos dos Kirchner (Néstor, de 2003 e 2007 e Cristina, de 2007 e 2015) "a corrupção se instalou na sociedade argentina em seu conjunto", e advertiu que "a luta contra o narcotráfico levará anos".

Em sua primeira entrevista para a imprensa estrangeira, o presidente da Argentina afirmou que seu trabalho como chefe do Executivo será "demonstrar que se pode governar de outra maneira".

Antes de viajar a Davos, na Suíça, para contar ao mundo econômico que seu país está retornando à ortodoxia, o chefe de Estado argentino ressaltou que um dos objetivos de seu governo será gerar emprego e "se comprometeu com uma Argentina com pobreza zero".

Macri também prometeu trabalhar em outros temas como "a mudança climática, o terrorismo, a corrupção e o narcotráfico". O novo presidente argentino se preparava para a viagem a Davos, que nesta época se transforma na capital econômica do mundo por causa do Fórum Econômico Mundial que acontece todos os anos nessa cidade, e do qual a Argentina não participa há 13 anos.

"Vamos ser um país previsível", afirmou Macri, enquanto ressaltava que tem profunda confiança na Argentina e em poder resolver os problemas que parecem difíceis, como fez com o "cepo cambial" assim que assumiu o poder, em referência à limitação da compra de dólares.

Em relação à situação política que alguns países do continente americano atravessam, Macri assegurou que não "quer opinar sobre o que acontece" em outras nações, mas acrescentou que a única situação com a qual não pode estar de acordo é que "os direitos humanos não sejam respeitados na Venezuela".

Macri, que se nega a ser qualificado como de direita ou esquerda, reconheceu que seu referencial político é o dirigente sul-africano Nelson Mandela, que sente profundo respeito pela chanceler alemã, Angela Merkel, e que se alegra de ter recebido o apoio de seu partido.

Além disso, Macri afirmou que está satisfeito com a forma em que transcorreram as primeiras cinco semanas de seu governo. "Temos a melhor equipe dos últimos 50 anos", ressaltou o presidente, dando a entender que possui as ferramentas para resolver os problemas da Argentina.

A respeito dos grandes desafios, como o tráfico de drogas e a inflação, Macri lamentou que o combate ao narcotráfico levará anos porque o governo anterior permitiu que o crime organizado avançasse "de forma importante".

Quanto à inflação, Macri ressaltou que existiam os temores de que o ocorrido com "a taxa de câmbio impactasse na inflação". "Isso não ocorreu, até agora está muito bem. Estamos onde pensávamos", disse. "Acho que terminarei o mandato, mas, sobretudo, conseguirei mudar o país", afirmou confiante o presidente da Argentina. / EFE

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